Calçadistas aceitam vender só 11 milhões de pares à Argentina
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 10 (AE) - A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) decidiu aceitar a delimitação de cotas para as exportações brasileiras do produto para a Argentina, como desejam os industriais do setor daquele país. Em reunião que se prolongou até por volta das 23 horas de ontem (9), os calçadistas concordaram em limitar suas vendas ao mercado argentino a 11 milhões de pares até o final do ano, volume idêntico ao que foi exportado em 1998. No primeiro semestre deste ano os embarques já totalizaram 5,5 milhões de pares.
Segundo o presidente da Abicalçados, Nestor de Paula, a restrição das exportações a patamares inferiores aos 11 milhões de pares é "inaceitável". Ele ressalvou, porém, que o setor não quer "piorar" a crise do Mercosul e disse que os industriais brasileiros não podem ser tão "duros" com os argentinos. "Temos que entender a situação deles", comentou.
Na quinta-feira a decisão deverá ser formalmente comunicada ao presidente da Câmara da Indústria de Calçados da Argentina, Carlos Bueno, em encontro em Novo Hamburgo (RS). A entidade argentina queria que as empresas brasileiras exportassem apenas mais 4 milhões de pares no segundo semestre deste ano.
De acordo com a entidade, a venda de calçados brasileiros para os argentinos, beneficiada pela desvalorização do real, estava quebrando as fábricas locais. Hoje o governo Menem chegou a impor a exigência de uma nova licença para etiquetas de sapatos comercializados no país, independente de sua origem, o que significaria uma restrição para as exportações brasileiras.


