Brasília, 08 (AE) - O presidente do BNDES, Andrea Calabi, disse hoje no Senado que o governo federal continuará financiando grupos estrangeiros interessados em participar de leilões de privatização de estatais. "O banco pretende continuar financiando estrangeiros nos leilões porque este é um pleito dos Estados", argumentou. "Teremos em breve o leilão da Celpe (Centrais Elétricas de Pernambuco) e há pleitos neste sentido partindo do governador de Pernambuco (Jarbas Vasconcelos
do PMDB), do vice-governador (Mendonça Filho, do PFL) e do vice-presidente ( Marco Maciel)". De acordo com Calabi, "os grupos estrangeiros buscam este tipo de financiamento muitas vezes como um mecanismo de redução do fator de risco do País".
O presidente do BNDES também afirmou ser contra limites para financiamentos públicos ao capital externo. "É um erro condicionar investimentos para qualquer propósito específico, inclusive usando a origem do capital como critério para discriminação". O debate sobre a desnacionalização da economia dominou a exposição de Calabi hoje no Senado, fazendo com que ficasse em segundo plano a questão do desequilíbrio regional das aplicações do BNDES, o tema que gerou a sua convocação para depor na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Até senadores governistas contestaram a estratégia adotada pelo BNDES nos leilões de privatização. "Vossa Excelência não está percebendo que o povo não está mais aceitando que o dinheiro do Brasil financie o capital estrangeiro?", indagou o senador Francelino Pereira (PFL-MG). "O povo não está mais tolerando isto e esta consciência vai explodir este ano nas urnas, com o resultado das eleições municipais nos grandes centros", acrescentou.
Calabi ouviu um apelo formal do senador Pedro Piva (PSDB-SP) para que fosse dado um tratamento diferenciado aos grupos nacionais. "Às vezes, a competitividade entre nacional e estrangeiro é nociva ao País", afirmou Piva, acrescentando que "a remessa de dividendos de um grupo estrangeiro pode em dez anos anular todo o investimento que se conseguiu trazer para o País".
Embora insistindo que o governo continuará financiando empresas de capital externo, Calabi admitiu que poderá haver um tratamento diferenciado para as empresas nacionais. "O BNDES busca reduzir assimetrias de competitividade e, sempre que possível, apóia grupos nacionais para torná-los competitivos com os de fora, já que estes últimos podem se beneficiar de financiamentos externos em condições favorecidas", afirmou. O presidente do BNDES procurou ainda minimizar o impacto dos financiamentos a grupos estrangeiros no volume global de empréstimos feitos pelo banco. "O financiamento a empresas externas não representa mais que 10% do total dispendido pelo BNDES nos últimos cinco anos", afirmou.