Calabi é demitido da presidência do BNDES
Brasília, 23 (AE) - A saída do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, é irreversível, segundo fontes do Palácio do Planalto. O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, comunicou-lhe na noite desta terça-feira (22) ter decidido indicar um substituto para o posto.
Localizado pela Agência Estado por telefone, Calabi não negou nem confirmou a informação, alegando que a dúvida teria de ser dirimida pelo próprio ministro. A demissão do presidente do BNDES, porém, foi autorizada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, embora até o fechamento desta edição não houvesse nenhuma manifestação oficial do Palácio do Planalto sobre o episódio.
Tápias e Calabi estiveram juntos durante quase todo o dia de ontem, tomando parte inclusive da reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND) na qual foi definida a venda das ações da Petrobrás que excedam o porcentual necessário para garantir o controle da empresa pela União.
Depois do anúncio da decisão, os dois foram no mesmo carro do Palácio do Planalto até a sede do Ministério do Desenvolvimento. Ao chegar lá, tiveram uma reunião reservada.
A saída de Calabi é o desfecho de uma série de divergências do presidente do BNDES com o ministro ao qual o banco é formalmente subordinado. Nomeado quando Clóvis Carvalho ainda comandava a pasta do Desenvolvimento, Calabi nunca teve muita sintonia com Tápias e sua saída já era esperada por integrantes do governo.
O ministro queixava-se com frequência da "independência" de Calabi, tido como homem do grupo comandado pelo ministro da Saúde, José Serra. Ao comunicar a FHC a decisão de afastar Calabi, Tápias alegou, segundo as mesmas fontes do Planalto, estar incomodado com o desejo do presidente do BNDES de agir como ministro.
Consultoria - As diferenças entre os dois começaram a ficar claras com a discussão sobre a possibilidade de o BNDES conceder crédito a empresas estrangeiras, hipótese rejeitada por Tápias e admitida por Calabi. Recentemente surgiram desavenças baseadas na assessoria que a Consemp - consultoria da qual Calabi é sócio - prestara aos irmãos Frering, ex-controladores do Projeto Jari, cuja operação de venda está sendo financiada pelo BNDES.
Calabi confirmou na noite de ontem à colunista Sonia Racy que a Consemp realmente prestara assessoria aos Frehing, mas assegurou que o contrato tinha expirado antes de sua posse no comando do BNDES.
Outro motivo do desgaste de Calabi foi a participação do BNDES na compra da Copene em sociedade com o Grupo Ultra. A operação provocou reação vigorosa de outras empresas da área petroquímica que poderiam ter tentado participar do negócio caso tivessem obtido a mesma ajuda oficial.





