Rio, 03 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, afirmou que "não há contradição entre um claro projeto de desenvolvimento e a estabilidade econômica". Segundo Calabi, é necessário ter ousadia na política econômica, mas com responsabilidade fiscal. "Nem o Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) acha que a estabilidade pode ser vista sem a finalidade do desenvolvimento", emendou.
Calabi evitou tomar partido de Malan ou do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho. Ele afirmou que está apenas repetindo as palavras de Fernando Henrique Cardoso, quando diz que a meta do governo é a estabilidade com posterior retomada do crescimento. "Nossa determinação é a inclusão dos excluídos." O presidente do BNDES traduziu "ousadia", termo usado no discurso de Carvalho, como a montagem de órgãos regulatórios de água e saneamento e transportes aéreos, a remoção dos entraves à expansão de financiamentos para a habitação e a redução das disparidades regionais e sociais. Segundo Calabi, o Plano Plurianual (PPA) é compatível com "a manutenção e o enraizamento de uma gestão de responsabilidade nos gastos públicos".
A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) deve entrar numa trajetória de queda acentuada a partir de 2000, na opinião de Calabi. Mas ele reafirmou que a taxa pode começar a cair em outubro. Atualmente, a TJLP está fixada em 14,05% ao ano. "Ainda é elevada", disse.
Calabi afirmou que o Conselho Nacional de Desestatização (CND) está apreciando a necessidade de fazer ajustes legais no processo de privatização do IRB Brasil Resseguros por meio de projeto de lei ou de medida provisória (MP), "um tempo que o órgão não controla". Por isso, a venda, inicialmente marcada para 14 de outubro, deve ser adiada. A nova data será divulgada após a reunião do CND, na quinta-feira (09).

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