Brasília, 28 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, disse hoje (28) que a decisão de financiar a empresa americana AES para a aquisição da estatal Cesp-Tietê teve como objetivo viabilizar a ocorrência do leilão. O BNDES tinha informação de que sem o financiamento, não haveria interessados e o leilão não ocorreria.
Segundo o presidente do BNDES, na véspera do leilão - terça-feira última - soube-se que a disputa estava comprometida por falta de interessados. Segundo Calabi, a irritação manifestada pelo empresário Antônio Ermírio de Morais, do consórcio VBC Energia, único grupo nacional credenciado à aquisição da companhia elétrica, deveu-se à desistência da Tractebel, na última hora.
A Cesp-Tietê foi adquirida pela AES americana, por R$ 938 milhões, com ágio de 29% sobre o preço mínimo. Apesar das queixas de Ermírio de Moraes, o grupo do qual participava não fez oferta no leilão, deixando a AES como única interessada.
O BNDES vai financiar 50% do preço mínimo da Cesp-Tietê, com taxas de juros anual composta com base no custo de captação de uma cesta de moedas estrangeiras, que está em torno de 15%/ 16%, segundo Calabi. Se o mesmo empréstimo fosse concedido a um grupo nacional, a taxa é a TJLP, atualmente de 12,5% ao ano. "Se o problema fosse o financiamento, o capital nacional teria uma taxa muito mais competitiva", observou o presidente do BNDES.
"Este é um financiamento-padrão, uma linha composta por capital captado no exterior, disponível para empresas estrangeiras", disse o presidente do BNDES. "Não é a primeira vez que o BNDES financia o capital estrangeiro", completou.
Ele admitiu que não pretendia financiar empresas estrangeiras
estimulando grupos nacionais a participarem da disputa. No entanto, tal não ocorreu. Na véspera do leilão, o BNDES informou aos grupos interessados, que visitaram o data-room da Cesp-Tietê
a disponibilidade da linha para a empresa estrangeira.
Na avaliação de Calabi, o financiamento do BNDES beneficiou o Estado de São Paulo, que obteve um bom ágio no leilão. Ele contestou a crítica, segundo a qual está estimulando a remessa de lucro para o exterior, lembrando que em qualquer caso de investimento estrangeiro no País, a remessa ocorre. E isso não significa que não se deseje tais investimentos.

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