Calabi diz que Brasil vai iniciar 2000 com expansão
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 18 (AE) - A economia brasileira poderá crescer até 1% no primeiro trimestre do ano 2000 em relação a igual período de 1999, em resposta à recente redução da Taxa de juros de Longo Prazo (TJLP), de 14,05% para 12,5% ao ano, e outros indicadores que já esboçam sinais de recuperação.
A previsão é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, que ressaltou o cenário mais positivo que está sendo delineado no curto prazo. Nas suas contas, a TJLP deverá chegar ao fim de 2000 em um dígito. "O primeiro trimestre de 2000 terá um crescimento razoável", disse o economista, enfatizando que normalmente nesse período as vendas são fracas.
Calabi, que participou hoje, em São Paulo, do debate sobre Caminhos do Desenvolvimento e Combate à Pobreza, promovido pelo Instituto de Cidadania - uma organização não-governamental do Partido dos Trabalhadores (PT) -, calcula que o País voltará a crescer, em média, 3,5% ao ano de 1999 até o ano 2003 - com expansão de até 0,5% este ano. De 99 a 2003, a população deve aumentar, em média, 1,3% e a renda per capita será ampliada em 2 2% ao ano.
Para 2000, o presidente do BNDES espera um aumento de 4% no Produto Interno Bruto (PIB), que será ampliado para 4,5% e 5% em 2001 e 2002, respectivamente. O economista Paulo Rabelo de Castro, que participou do debate, não acredita que o Brasil voltará a crescer 4% no ano que vem.
Exportações - Calabi disse que o BNDES destina R$ 1,6 bilhão por ano para a área social, de um orçamento de R$ 20 bilhões. Na sua opinião, a condição necessária para retomar o crescimento é melhorar o resultado da balança comercial. O presidente do BNDES acha que a balança deverá fechar este ano equilibrada em relação ao resultado obtido em 1998.
Na avaliação de Calabi, já ocorreu uma reação nas quantidades vendidas externamente no terceiro trimestre. Mas ainda não houve impacto no resultado da balança porque os preços de exportação caíram e os de importação aumentaram exatamente nesse período.
Além de Calabi e Rabelo de Castro, os economistas Luciano Coutinho (Unicamp) e Aloízio Mercadante (PT), que participaram do debate, concordaram que a retomada do crescimento passa pela recuperação das exportações e redução das importações. Com isso, explicou Coutinho será possível acumular divisas, depender menos do capital externo e ter fôlego para baixar as taxas de juros, criando-se, assim, as condições para o crescimento.
De acordo com Coutinho, para que a economia cresça a uma taxa de 5% ao ano, as exportações têm de aumentar 12%. "A chave é uma política de exportação e de substituição de importações." A sustentabilidade do crescimento não se assegura com uma ofensiva fiscal isolada, disse.
"Combater a desigualdade não é só exportar mais", disse Mercadante. Segundo o economista, é preciso fortalecer os mecanismos que ampliem a poupança doméstica, fazendo com que o capital externo que vem para o País seja investido em setores de exportação e tecnologia.
Ele ressaltou também que é preciso atacar a questão da remessa de lucros. Hoje, por exemplo, disse ele, o lucro de empresas estrangeiras reinvestido no País é taxado em 32%, enquanto o dinheiro que é remetido para fora paga um imposto de 15%.


