Rio, 23 (AE) - Em entrevista concedida há pouco à Agência Estado, o presidente demissionário do BNDES, Andrea Calabi, avaliou os motivos de sua demissão, dizendo que sua interpretação é que "o ministro sentiu necessidade de me demitir, ponto". Sobre as versões veiculadas na imprensa de que houve divergências com o ministro, respondeu: "Sou absolutamente hierárquico nas minhas relações no governo. Tive o privilégio de trabalhar com pelo menos seis ministros e, com a entrada do ministro Tápias não foi diferente".
Cargos - Calabi, afirmou que, mesmo com sua saída, permanecem na direção do banco Aluysio Asti e Isaac Zagury, nomeados no lugar de Eduardo Rath Fingerl e Fernando Perrone, para as áreas de infra-setrutura e financeira, respectivamente. "Anteontem à noite, quando conversei com Tápias sobre o assunto (a mudança na presidência do BNDES), eu falei para suspender as nomeações e ele disse: não, não é preciso, são meus ministros", afirmou Calabi. Na avaliação do ex-presidente
se houve alguma demora em mudanças em cargos de direção do BNDES, foi provocada pela mudança dos titulares no ministério de Desenvolvimento, com a saída de Clóvis Carvalho e a entrada de Tápias.
Calabi afirmou que o fato de "falar demais", uma das razões pelas quais ele teria sido substituído, é derivada da responsabilidade do próprio cargo que ocupava. "Eu não tinha nenhuma intenção de sair na imprensa", afirmou. "Mas, às vezes
a Imprensa tem informações que me obrigam a falar, até para corrigir distorções", argumentou. "A função no BNDES me obriga", ponderou Calabi. "Além das prestações que a gente dá aos canais normais, como Tribunal de Contas, temos de dar conta à população também no dia-a-dia", acrescentou.

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