O novo sistema lotérico desenvolvido pela Caixa Econômica Federal começou a operar ontem em todo o País. A troca do sistema foi iniciada em fevereiro e, desde então, já foram instaladas cerca de 21 mil máquinas. Com a implantação deste modelo lotérico, a instituição passa a ter o controle do negócio do País.
Anteriormente, os equipamentos das lotéricas eram administrados pela multinacional Gtech. No entanto, a empresa foi envolvida em crimes de improbidade administrativa, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o procedimento licitário e, por isso, foi levada à CPI dos Bingos. A partir desse episódio, a possibilidade de renovação do contrato da empresa com a Caixa foi vetada.
Segundo o presidente licenciado da Federação Nacional de Lotéricas, Aldemar Mascarenhas, o novo sistema está funcionando bem. ''É claro que precisa de alguns ajustes, mas não está prejudicando o funcionamento'', afirma. Para ele, as enormes filas enfrentadas pelos usuários das lotéricas não estão sendo ocasionadas pela mudança. O problema é o excesso de serviços prestados por toda a rede com datas de pagamento coincidentes.
''Já fizemos a sugestão ao governo federal para que pulverizasse as datas de pagamento dentro do mês dos diversos benefícios - como o Bolsa-Escola, o Vale-Gás e o seguro-desemprego -, mas tudo é pago no início do mês. Falta bom senso para planejar as datas e pagar os benefícios'', diz Mascarenhas. A Caixa informou que eventuais perdas causadas no período de troca das máquinas serão ressarcidas.
De acordo com Tribunal de Contas da União (TCU), entre 1997 e 2003, a Caixa teve um prejuízo de R$ 433 milhões no contrato com a Gtech. Nesse período, a CEF pagou à multinacional R$ 3 bilhões. O banco estatal recebeu do TCU a recomendação de rescindir o contrato, dividindo a prestação de serviços. Mas a Gtech conseguia na Justiça impedir a alteração do acordo.

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