Caio volta a produzir depois do pedido de concordata
Botucatu, SP, 13 (AE) - A Companha Americana Industrial de Ínibus - que pediu concordata no último dia 3 - recebeu os primeiros chassis negociados com a Mercedes Benz e reiniciou hoje sua produção, chamando para o trabalho um terço dos seus 1.200 trabalhadores. Dentro de 15 dias deverá começar a entrega do primeiro lote, de 20 ônibus, para a Viação ABC, que opera na região metropolitana de São Paulo, dez para a Salvador (BA), seis para Juiz de Fora (MG) três para Curitiba (PR) e dez para o Chile.
O diretor Cláudio Regina disse que até na segunda-feira mais um terço dos empregados serão chamados e o quadro se completará alguns dias depois, já que no início não há serviço para as equipes de acabamento.
Regina também informa que o pagamento dos salários - que deveria ter ocorrido no dia 30 - começa a ser feito na sexta-feira e, até o momento, não existem planos para demissões. Mas alertou que tudo vai depender das respostas que a empresa tiver no mercado que, nos últimos tempos, sofreu uma retração de 50%.
Embora tenha dívidas da ordem de R$ 60 milhões, que motivaram a concordata, a CAIO dispõe de experiência e crédito para retornar à atividade desde que o mercado absorva seus produtos. A empresa tem capacidade para produzir até 600 unidades-mês e ao mesmo tempo em que busca compradores no mercado interno, trabalha em busca de exportações, que servirão de sustentação para o negócio até que as transportadoras locais possam voltar a renovar frota.
Um dos motivos da crise é a sensível baixa do número de passageiros transportados pelas empresas de ônibus urbanos brasileiras, que sofrem tanto com a compressão tarifária como com a concorrência dos perueiros clandestinos. Também pesou para o agravamento do quadro a redução do financiamento do Finame para os ônibus, de 100% para 60% do valor do veículo. Dirigentes da CAIO e autoridades do governo estão mobilizados em busca da ampliação do percentual financiado para que o setor possa enfrentar o momento difícil.





