Caíca teria sido ameaçado para inocentar José Gerardo
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Marco Aurélio DEça (especial para a a AE) 
São Luís, 10 (AE) - O ex-deputado Francisco Caíca (PSD) confirmou ontem (09) - em depoimento de mais de oito horas ao gerente de Segurança do Maranhão, Raimundo Cutrim - ter mudado o depoimento na Justiça sobre o também ex-deputado José Gerardo de Abreu "para proteger" sua família. A informação foi passada pelo próprio Cutrim, que se recusou a entrar em detalhes sobre a conversa com o ex-deputado. As ameaças teriam sido feitas por Joaquim Laurixto (empresário foragido há dois anos, tido como o homem de confiança de José Gerardo) à filha de Francisco Caíca, Antonia Mary Marinho. Caíca vai permanecer sob custódia da Polícia Federal, pelo menos até segunda-feira, quando deverá ser transferido para uma das delegacias de São Luís. Sua casa continua protegida por policiais civis e militares.
Laurixto teria conversado com a própria Mary Marinho ameaçando divulgar extratos de depósitos bancários em sua conta corrente se o ex-deputado não desmentisse as acusações contra Gerardo. Esse dinheiro seria parte do pagamento pela guarda da carreta roubada com uma carga de fogões e ventiladores, que foi encontrada pelo delegado Stênio Mendonça na garagem da casa onde Caíca morava. A casa pertencia a Laurixto. Na época, a filha de Caíca foi indiciada por receptação de carga roubada.
Em depoimento no dia 26 de outubro Francisco Caíca havia declarado à CPI do Crime Organizado da Assembléia Legislativa que José Gerardo mandou matar 12 pessoas no Maranhão, entre elas o delegado Stênio Mendonça, que investigava o roubo de carretas no estado. No depoimento prestado segunda-feira à Justiça, ele voltou atrás e disse nunca ter acusado Gerardo. "Só soube das denúncias através da imprensa", declarou.
O advogado do ex-deputado, Ivaldo Ricci, negou que tivesse conhecimento das ameaças, mas afirmou que Caíca mudou o depoimento, "por questões de foro íntimo".
Há um mês, Francisco Caíca já havia recebido uma outra ligação de Joaquim Laurixto, advertindo para que o ex-deputado não depusesse à CPI do Narcotráfico, caso contrário "sua família seria exterminada". A polícia rastreou a ligação e descobriu que partiu de Corumbá-MT, onde Laurixto estaria escondido. A Interpol já foi acionada para localizar o empresário.


