São Luís, 05 (AE) - Os dois principais acusados de comandar o crime organizado no Maranhão poderão ser acareados amanhã (06)
no Fórum de São Luís. O ex-deputado estadual Francisco Caíca, cassado na última quinta-feira, por 41 votos a zero, depõe na 2ª Vara Criminal no processo que apura a morte do delegado Stênio Mendonça, e deve incriminar o seu ex-patrão, o também ex-deputado José Gerardo de Abreu, cassado em 18 de novembro. Se houver contradições, o juiz José Joaquim dos Anjos pretende promover uma acareação entre os dois ex-deputados. O delegado Stênio Mendonça foi assassinado numa praia de São Luís, há dois anos, quando investigava o envolvimento de Caíca e Gerardo com o roubo de carretas no estado.
Francisco Caíca já confessou ter participado de pelo menos um assassinato a mando de José Gerardo. Ele foi um dos pistoleiros que executaram, em 1982, o cobrador de ônibus Carlindo Sousa Cunha, que brigava na Justiça com Gerardo por direitos trabalhistas. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, da Assembléia Legislativa, Caíca declarou que José Gerardo mandou matar cerca de 12 pessoas no estado, entre eles o delegado Stênio Mendonça. "O Joaquim Laurixto (empresário, braço-direito de José Gerardo, foragido há dois anos) me contou que sua próxima vítima seria o delegado Stênio. Quinze dias depois ele foi morto", revelou.
O curioso é que Caíca - que está sob custódia da Polícia Federal - afirma não ter participação em nenhum crime e só sabia do fato porque Laurixto lhe contava tudo.
O ex-deputado foi assessor de José Gerardo por 12 anos, período em que, segundo as investigações da polícia maranhense, ocorreram a maioria dos assassinatos. Caíca se afastou de Gerardo em 1990, quando este perdeu o mandato de deputado estadual. Em 1994 tanto Gerardo quanto Caíca conseguiram se eleger para a Assembléia Legislativa.
Em 1995 o delegado Stênio Mendonça conseguiu localizar, na garagem da Casa pertencente a Joaquim Laurixto, que estava cedida a Francisco Caíca, uma carreta roubada no interior do estado com uma carga de fogões e ventiladores. A denúncia teria sido feita ao delegado pelo policial Jorge Menezes, que era assessor de José Gerardo. Um ano depois, Jorge Menezes foi assassinado. "O Laurixto me contou que mandou matar Falador (apelido de Jorge Menezes) e que o próximo seria Stênio Mendonça)", contou Caíca à CPI. O delegado foi morto no dia 25 de maio de 1997, pelo bando do pistoleiro José Humberto Oliveira
o Bel, também assassinado dias depois, numa queima de arquivo, que envolveu setores da Polícia Civil.
José Gerardo - que está preso no Quartel da Policia Militar - já prestou seu depoimento na 2ª Vara Criminal e negou todas as acusações. Disse que Caíca era um "mentiroso traidor" e que "teria que pagar pelos crimes que confessou". Negou participação na morte de Stênio Mendonça e disse não conhecer nenhum dos envolvidos no caso, à exceção de Joaquim Laurixto, que garante ser um "homem de bem". A Justiça espera amanhã (06) tirar todas as dúvidas sobre o caso.

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