Caiapós fazem reféns 40 agentes da PF
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terça-feira, 26 de setembro de 2000
Carlos Mendes e Hugo Marques Agência Estado De Belém 
Os índios caiapós da aldeia Puicararanca, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, tomaram como reféns ontem pela manhã 40 agentes da Polícia Federal de Brasília e de Marabá e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O grupo foi surpreendido e cercado pelos caiapós, armados de espingardas e facões, quando fiscalizava a extração ilegal de mogno dentro da reserva indígena, de 2,4 milhões de hectares. Ontem, a PF iniciou a Operação Xingu, para expulsar madeireiros do local.
A entrada de estranhos na reserva é proibida desde o ano passado pelos índios. Até mesmo policiais teriam de pedir autorização dos caciques para ingressar no local. Por supostamente desrespeitar essa proibição, os agentes federais foram aprisionados. Para negociar a libertação dos reféns, os índios exigem a presença de representantes do Ministério Público Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O chefe do posto da Funai em Redenção, cacique Tokran Caiapó, disse que não tinha muitas informações sobre a situação dos reféns. A única coisa que eu sei é que meu povo ficou muito nervoso com esse pessoal entrando na reserva sem qualquer aviso. Ele disse que viajaria hoje pela manhã para a aldeia na tentativa de conseguir soltar os agentes.
Um agente da PF de Marabá, que preferiu não se identificar, informou que a compra de mogno dos índios por empresas madeireiras da região é um fato que vem sendo investigado há pelo menos dois anos. Os caiapós vendem a madeira e recebem menos de 20% pelo valor real da tora de mogno.
Em agosto passado, onze pescadores do Pará e turistas de São Paulo ficaram 13 dias como reféns dos caiapós da reserva Baú, entre Novo Progresso e Altamira, no sudoeste paraense.
Iniciada ontem, a Operação Xingu será feita em toda a Amazônia e deve cruzar informações sobre carregamento de madeira com planos de manejo das madeireiras. A operação conta com a ajuda do Exército, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A operação foi discutida nos últimos 30 dias em Brasília por técnicos de vários órgãos do governo e depois aprovada pelos ministros da Justiça, José Gregori, e do Meio Ambiente, José Sarney Filho. A operação conta com a participação do Ministério da Defesa e faz parte do Plano Nacional de Segurança do governo federal.


