Os índios caiapós da aldeia Puicararanca, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, tomaram como reféns ontem pela manhã 40 agentes da Polícia Federal de Brasília e de Marabá e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O grupo foi surpreendido e cercado pelos caiapós, armados de espingardas e facões, quando fiscalizava a extração ilegal de mogno dentro da reserva indígena, de 2,4 milhões de hectares. Ontem, a PF iniciou a Operação Xingu, para expulsar madeireiros do local.
A entrada de estranhos na reserva é proibida desde o ano passado pelos índios. Até mesmo policiais teriam de pedir autorização dos caciques para ingressar no local. Por supostamente desrespeitar essa proibição, os agentes federais foram aprisionados. Para negociar a libertação dos reféns, os índios exigem a presença de representantes do Ministério Público Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O chefe do posto da Funai em Redenção, cacique Tokran Caiapó, disse que não tinha muitas informações sobre a situação dos reféns. ‘‘A única coisa que eu sei é que meu povo ficou muito nervoso com esse pessoal entrando na reserva sem qualquer aviso.’’ Ele disse que viajaria hoje pela manhã para a aldeia na tentativa de conseguir soltar os agentes.
Um agente da PF de Marabá, que preferiu não se identificar, informou que a compra de mogno dos índios por empresas madeireiras da região é um fato que vem sendo investigado há pelo menos dois anos. ‘‘Os caiapós vendem a madeira e recebem menos de 20% pelo valor real da tora de mogno’’.
Em agosto passado, onze pescadores do Pará e turistas de São Paulo ficaram 13 dias como reféns dos caiapós da reserva Baú, entre Novo Progresso e Altamira, no sudoeste paraense.
Iniciada ontem, a Operação Xingu será feita em toda a Amazônia e deve cruzar informações sobre carregamento de madeira com planos de manejo das madeireiras. A operação conta com a ajuda do Exército, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A operação foi discutida nos últimos 30 dias em Brasília por técnicos de vários órgãos do governo e depois aprovada pelos ministros da Justiça, José Gregori, e do Meio Ambiente, José Sarney Filho. A operação conta com a participação do Ministério da Defesa e faz parte do Plano Nacional de Segurança do governo federal.

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