Caiapós fazem proposta para libertar reféns
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Agência Estado De Belém 
Os índios caiapó exigem que o governo federal envie o dinheiro arrecadado com um leilão de mogno extraído ilegalmente de suas terras em 1996 para libertar os 40 reféns um delegado da Polícia Federal, 20 agentes, e 19 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O grupo foi aprisionado anteontem, na aldeia Puicararanca, em São Félix do Xingu, no sul do Pará
O Ibama ficou com o dinheiro e não deu nenhuma satisfação aos índios, que agora estão cobrando, disse o administrador do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Redenção, cacique Tokran Caiapó. Ele disse que os reféns estão sendo bem tratados e desmentiu informações sobre supostos maus-tratos.
O grupo foi surpreendido no final da manhã de terça-feira por mais de cem caiapós armados quando fiscalizava a retirada ilegal de madeiras nobres, principalmente mogno, de dentro da reserva. A operação foi planejada desde agosto passado e conta com a participação de 15 policiais federais de Brasília e seis de Marabá, comandados pelo delegado Marco Aurélio. Tokran informou que hoje deve chegar a Redenção o chefe do posto da Funai em Colider (MT), Megaron Txucarramãe. Então os dois devem seguir para a aldeia, distante duas horas e meia de avião, para negociar a libertação dos servidores federais.
Em Brasília, as assessorias da Funai, do Ibama e da Polícia Federal negaram que seus funcionários estejam como reféns dos índios. Não é essa a mensagem que os caiapós têm passado por rádio para Tokran em Redenção. O pessoal está proibido de sair e é por isso que eu e o Megaron vamos para lá, disse o cacique.
Ele desconversou quando perguntado se os índios continuam negociando a venda de mogno para madeireiras de Redenção e de São Félix do Xingu: Desconheço o problema e nunca soube disso. De 1998 até julho deste ano, a Procuradoria da República em Marabá abriu 25 processos sobre extração ilegal de madeira em áreas indígenas do sul do Pará. Várias madeireiras de São Félix do Xingu respondem a processo por contrabando de mogno extraído com a conivência dos índios das reservas caiapó e parakanã.


