Belém, 04 (AE) - Os índios caiapós da aldeia Gorotire, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, denunciam que nos últimos seis meses 18 pessoas, entre jovens, velhos e crianças teriam morrido por falta de atendimento médico, atacadas por doenças como malária, hepatite e febre amarela. Na aldeia vivem cerca de 1,5 mil índios. A direção da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Estado garante que o número de índios mortos neste período é 12.
Os caiapós acusam a Funasa de nada fazer para evitar as mortes e acrescentam que a assistência médica prestada pelo órgão é ruim e sempre demora a chegar. A Funasa, desde julho de 1999, sucedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai) no trabalho médico nas aldeias de todo o País. Para os caiapós, o trabalho feito pela Funai era melhor, apesar das deficiências e do corte de verbas que atingiram a área de saúde. "O problema é sério é exige solução imediata", disse o cacique Maradona. Ele informou que já esteve tratando do assunto em Altamira, acompanhando os caiapós da aldeia Trincheira Bacajá, mas "nada foi resolvido".
O responsável pela Funasa em Redenção, Cildo de Souza Rego, não foi encontrado para informar que providências estavam sendo tomadas. Ele está de férias. O inspetor Ivan, substituto de Rego, também não foi localizado porque estava de folga. O funcionário que atendeu a reportagem disse que não sabia prestar qualquer informação sobre o caso. Evitando se identificar, ele resumiu: "Morreram 18, foi? Olha, eu desconheço isso".
Em Belém, o coordenador da Funasa no Pará, Manoel da Luz
confirmou que nos últimos seis meses morreram 12 índios, e não 18, como garantem os caciques caiapós. Esse número foi obtido por ele junto à Secretaria Municipal de Saúde de Redenção. O registro das mortes, segundo informou a Luz o secretário interino de Saúde daquele município, Orlando Garcia, não apontou nenhum óbito por febre amarela, hepatite ou meningite. Luz disse que esse número era bem menor que o registrado nos seis primeiros meses de 99, quando o atendimento nas aldeias ainda era prestado pela Funai. "Nesse período ocorreram 32 mortes".
A assessora de Imprensa da Funasa em Brasília, Cristina Campos, atribuiu a denúncia dos índios a uma "questão política", envolvendo a Funai. "Nós estamos há apenas seis meses prestando assistência médica aos índios", justificou, indagando: "Quantas mortes ocorreram antes disso?".