São Paulo, 08 (AE) - Estudo realizado pela Virtual Vendor Consulting - empresa especializada em análise de crédito - mostra que a maxidesvalorização ameaça provocar aumento da inadimplência. O impacto só não foi tão forte até agora devido a baixa demanda por crédito na economia brasileira e a estimativa de que apenas 8% de todos os empréstimos do sistema financeiro para pessoas físicas e jurídicas estão atrelados à variação cambial. De acordo com cálculos da Virtual Vendor com base em dados do Banco Central o volume total de crédito na economia de R$ 80 bilhões (US$ 67 bilhões) ao final de 1998 representava menos de 10% do Produto Interno Bruto. Esses R$ 80 bilhões de crédito estavam distribuídos em R$ 61 bilhões para pessoas jurídicas (empresas) e o restante (R$ 19 bilhões para pessoas físicas). As empresas estatais concentram empréstimos em dólares.
No caso de empréstimos para a compra de veículos, apenas 5% dos contratos para pessoas físicas tinham correção cambial (basicamente operações de leasing). O volume total de crédito para pessoas físicas declinou 15% em 1998 em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto para empresas a queda foi de 4% (mais precisamente 3,73%). A taxa média de juros nos empréstimos para pessoas físicas (ponderada pelo volume de crédito em cada aplicação) declinou de 7,65% em 1997 para 7,30% ao mês em 1998; enquanto o juro médio para empresas declinou de 5,36% para 5.06% ao mês no mesmo período. Isso aconteceu pela estratégia dos bancos credores em tornarem-se mais seletivos na liberação de novos empréstimos -diminuindo o volume de operações- e decidindo renovar o crédito dos clientes em atraso com prazos maiores e juros menores. Segundo a Virtual Vendor Consulting, em 99, a concessão de financiamentos deverá ser ainda mais rigorosa e com juros mais altos, devido à desvalorização cambial e à tentativa do governo de segurar dólares no país.

mockup