Belém, 26 (AE) - A violência rural no sul e sudeste do Pará ainda parece longe de acabar, mas há um fato concreto que demonstra sua crescente redução. Segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região, em 99 houve três assassinatos
contra nove, em 98. Uma redução de 200%.
A polícia, porém, bateu o recorde de prisões de líderes de movimentos de famílias sem terra no ano passado: 64. Ela instaurou 16 inquéritos e indiciou 50 trabalhadores. As liminares de reintegração de posse voltaram a ser cumpridas e 655 famílias foram despejadas. Esse número é três vezes superior aos despejos realizados em 1998.
A CPT revela que 32 fazendas foram invadidas e ocupadas por 4.619 famílias. Para a entidade, essas famílias deixaram a periferia das cidades - parte vinda de outros Estados - e voltaram para o campo em busca de um pedaço de terra para produzir e garantir o seu sustento.
"O desemprego, a fome e a falta de alternativas nas cidades forçam as famílias a buscar uma saída, mesmo tendo que enfrentar a violência da polícia, de pistoleiros e fazendeiros"
afirma o coordenador da CPT, José Batista Gonçalves Afonso. No Sul e Sudeste do Pará, uma das principais alternativas tem sido a ocupação da terra.
Na região, existem hoje 160 fazendas ocupadas, onde residem cerca de 20 mil famílias, que aguardam a desapropriação e o assentamento. Para a CPT, a diminuição do número de mortos em 99 não significa ausência de conflitos ou sinal de solução dos problemas fundiários da região.
Alguns fatores, segundo ela, influenciaram decisivamente no resultado. Um deles é o alto preço que o Incra paga pela desapropriação das terras ocupadas. "Em vez de contratar pistoleiros para defender suas terras, muitos fazendeiros têm financiado acampamentos de trabalhadores em suas fazendas, visando o alto preço da desapropriação".