São Paulo, 30 (AE)- A queda-de-braço entre a indústria de alimentos e o varejo, provocada pela mudança cambial, resultou em retração na produção física. Fevereiro fechou com recuo de 15,4% sobre o mês anterior e ficou negativo 7,03% em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria estimava aumento de 2%. No acumulado dos últimos doze meses, no entanto, o índice continua positivo 3,6%. A informação é de Dênis Ribeiro
economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
"A resistência do comércio em aceitar o repasse de custos obrigou a indústria a reduzir a produção", afirma. Mas, segundo o economista, já houve uma acomodação de preços e em março, acredita, a produção deverá crescer pelo menos 8% sobre fevereiro, chegando ao resultado de março do ano passado.
Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), concorda com Ribeiro. "O fornecedor se conscientizou do abuso que estava cometendo, aumentando exageradamente os preços, e voltou atrás", afirma. Na opinião de Assaf, as vendas nos supermercados paulistas deverão encerrar o trimestre com aumento em torno de 3% sobre os primeiros três meses de 1998.
Para o ano, no entanto, a indústria de alimentos está mais otimista que o varejo. "A produção deste ano deverá ficar pelo menos 4% acima da registrada em 1998", afirma o economista. Assaf, ao contrário, acredita que se os negócios chegarem ao mesmo patamar será um bom ano.
Assaf diz que o consumidor não está reduzindo o volume de compras, mas substituindo produtos por marcas mais baratas. "Os líderes continuam campeões, porém com percentual de participação de mercado em queda", afirma. "A crise foi uma lição para as empresas."
1998 - A indústria de alimentos superou todas as expectativas e encerrou o ano de 1998 com crescimento na produção física de 4,96% e receita de US$ 73,5 bilhões ante os US$ 70,2 bilhões, registrados no ano anterior. Em meados do ano o setor projetava um aumento de, no máximo, 2,5%, chegando a refazer os cálculos para baixo, no início do segundo semestre, quando estimou resultado negativo de 0,5%.
"As vendas de Natal salvaram a indústria, que vinha apresentando altos e baixos até setembro", comemora Ribeiro. Só neste período a produção ficou 20,9% acima da verificada em dezembro de 1997. "Foi o melhor Natal dos últimos anos", diz.

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