Silvana Porto
De Paranavaí
Especial para a Folha
A procura por consultas com especialistas do aparelho respiratório caiu 46,37% entre maio e junho nos 12 postos de saúde de Paranavaí, segundo estatística da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do município. Foram realizadas em maio 827 consultas, contra 565 em junho. O reflexo da redução dos problemas respiratórios é detectado também pelas farmácias, que registram queda na venda de medicamentos. Os números oficiais não incluem os pacientes que passaram pelo Pronto-Atendimento Municipal.
O levantamento da Vigilância Epidemiológica mostra que dentro do que os médicos consideram ‘‘doenças do aparelho respiratório’’ - apenas o que se convenciona chamar de gripe e infecções das vias aéreas superiores -, a média de consulta caiu 35,54% nos dois últimos meses. Foram 225 consultas em maio contra 166 no mês passado.
Os casos de traqueobronquite aguda, também doença respiratória, sofreu uma redução de 70,58%, enquanto os de faringite caíram de 111 casos para 37, uma diferença de 200%. Na média, os casos ligados a problemas do aparelho respiratório tiveram quedas de 15% a 30%.
O chefe do setor de Vigilância Epidemiológica da 14ª Regional de Saúde, Marcelo Reis Campos Silva, diz que ainda não é possível assegurar se os resultados foram alcançados graças à campanha de vacinação contra gripe, realizada em abril. Ele prevê, no entanto, que haverá diminuição nos casos de internações por gripe e pneumonias nos próximos meses. ‘‘Até o final de julho, devemos ter um parâmetro mais eficaz para avaliar os resultados da vacina’’, afirma.
Farmácias Nas farmácias de Paranavaí a venda de medicamentos indicados para gripe e problemas respiratórios é menor. Os responsáveis não confirmam que a queda na procura tenha ligação com a vacina. Daniel Haddad, dono de farmácia na cidade, diz que a época é de muita procura de remédios para doenças respiratórias, mas este ano está atípico. Ele diz que não tem um controle estatístico das vendas, mas tem certeza da queda em relação ao ano passado. Para Haddad, entre os motivos estão a intensidade do frio, que não tem sido rigoroso até agora, e o aumento da concorrência.
Para a gerente de farmácia Clemir Maschio, as vendas estão 20% menores, mas acredita que seja pela falta de dinheiro. ‘‘Muitas pessoas estão preferindo tomar um analgésico com um chá caseiro para curar gripe’’, afirma. Adriana Ibrahim Ramos, responsável técnico de farmácia, diz que não tem uma estatística, mas confirma a queda nas vendas. Ela não diz se existe alguma ligação com a vacinação contra a gripe, mas confirma que a queda do poder aquisitivo das pessoas, aliada aos preços dos remédios, pode justificar a redução na procura de alguns itens.
A única farmácia que admitiu aumento nas vendas de medicamentos contra gripe e doenças respiratórias abre diariamente a partir das 22 horas. O sócio da farmácia, Atílio Accorsi, calcula que os antigripais tiveram um aumento de procura em torno de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. ‘‘Investimos na reestruturação física e no marketing e atendemos em um período onde a concorrência se resume às farmácias de plantão’’, ressalta.

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