Curitiba – O número de mortes em acidentes de trânsito no Paraná caiu 21% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012. No ano passado, o total de vítimas fatais ficou em 1.239, enquanto que neste ano chegou a 982. Os dados levantados pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape) da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) se referem a trechos urbanos, rodovias estaduais e federais.
Entre as autoridades o senso é comum. A entrada em vigor, no início do ano, da lei seca mais rigorosa fez com que aumentasse o poder de ação da polícia, coibindo a circulação de motoristas embriagados. Conforme a nova lei, a embriaguez pode ser provada por depoimento do policial, vídeos, testes clínicos e testemunhos de terceiros.
"Antes, caso o motorista se recusasse a fazer o teste de bafômetro, o agente não tinha como relatar uma possível embriaguez. Então a sensação de impunidade ainda era muito forte. Agora isso mudou", afirmou o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Wilson Martinez. "O comportamento dos motoristas começou a mudar, mas ainda é um processo demorado, teremos mais resultados a longo prazo. Por isso verificamos aumento na quantidade de autuações e prisões nos últimos meses.".

Regiões
Os homicídios culposos (sem intenção de matar) de trânsito registraram maior queda nas Áreas Integradas de Segurança (Aisps) de Laranjeiras do Sul e São Mateus do Sul (54,5% cada uma), União da Vitória (52%), Londrina (47%) e Toledo (44%). Apenas cinco Aisps tiveram crescimento: Paranavaí (52%), Apucarana (31,5%), Umuarama (31%), Ponta Grossa (21%) e Maringá (11,6%). Entre as grandes cidades quatro apresentaram redução nos óbitos: Foz do Iguaçu (40%), Londrina (36,7%), Cascavel (29,5%) e Curitiba (20%). Já em Ponta Grossa (2%) e Maringá (3%) houve um pequeno aumento.

Impacto
Conforme a coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Iara Thielen, os resultados da aplicação da lei seca mais rigorosa são positivos. Entretanto, aponta, é possível observar que o comportamento dos motoristas ainda é de resistência à legislação porque muitas pessoas jamais foram paradas em uma blitz, por exemplo.
Segundo ela é necessária a implantação de um trabalho educativo efetivo para conseguir mudar a postura dos motoristas. "Algumas campanhas de trânsito, por exemplo, não causam o efeito esperado. Isto também tem que ser levado em consideração. Em algumas pesquisas desenvolvidas pelo núcleo, pude constar que as pessoas sempre colocam a culpa de erros no trânsito nos outros. É difícil alguém assumir que está equivocado, e a educação no trânsito também vem para mudar este tipo de postura", informou.

Imagem ilustrativa da imagem Cai número de vítimas fatais no trânsito
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