São Paulo, 12 (AE) - A falta de luz não aumentou o crime em São Paulo. Durante o blecaute, a PM registrou 500 ocorrências
metade do que é atendido em dias normais no horário de pico - das 19 horas à 1 hora. Já o número de homicídios registrados nos distritos da Polícia Civil caiu: foram 5, das 20 horas de quinta-feira até as 8 horas de hoje - 15 são registrados diariamente na capital.
Por quatro horas, cem pessoas mantiveram funcionando cinco hospitais, 1,3 mil carros da PM, dois helicópteros e as redes de comunicações da Polícia Civil e do policiamento de trânsito. Elas estavam no Centro de Operações da PM (Copom), responsável pelo telefone 190. Seis minutos após o começo do blecaute, todos os carros da PM receberam o alerta. Em 30 deles, o plano de emergência estava funcionando.
As ocorrências não aumentaram mas os telefonemas dobraram. As 3 mil habituais transformaram-se em 6,4 mil. "A maioria era pedido de informações", disse o capitão João Carlos Pelissari, que estava na chefia do centro. O Copom, que tem gerador próprio, ficou dois segundos no escuro. Um minuto depois
a PM entrou em contato com a Eletropaulo. Após quatro minutos, haviam sido avisados o Corpo de Bombeiros e o Grupamento Aéreo e os carros do patrulhamento receberam o alerta geral.
Por ser a hora da troca de turno, o efetivo dos dois turnos foi mobilizado, somando 10 mil homens. Após 20 minutos, a crise aumentou. "Recebemos pedidos de ajuda de hospitais que estavam sem força e da Polícia Civil, que estava com suas comunicações em pane", disse o coronel Valdir dos Santos, chefe do Comando de Policiamento Metropolitano.
Hospitais - O Copom ligou para os bombeiros, que despacharam quatro caminhões com geradores de energia para os hospitais Ipiranga, Santa Casa, Pérola Byington e Leonor Mendes de Barros. Os quatro estavam sem energia para atender os pacientes das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Além disso, mandou óleo diesel para o gerador do Hospital Regional Sul, que ameaçava parar pela falta do combustível.
Enquanto os hospitais pediam socorro, o Centro de Comunicações da Polícia Civil (Cepol) avisava o Copom que precisava de apoio. Assim, o Copom serviu de ponte entre o Cepol e as delegacias. O Copom assumiu ainda as comunicações do policiamento de trânsito.
Para o delegado Jorge Miguel, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a diminuição dos homicídios deveu-se ao fechamento dos bares antes da meia-noite. "Pelo levantamento, não houve assassinato no apagão."
Mas a polícia registrou a fuga de 20 presos em Parada de Taipas, o estupro de uma garota no Glicério, a prisão de dois traficantes de crack em Santa Efigênia e o furto de R$ 500 mil em computadores de uma loja no Campo Belo. Gerson de Carvalho, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, informou que, para evitar fugas e invasões nos distritos, foi reforçada a segurança na maioria das delegacias.

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