Cai número de filhos por mulher
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Uma série de fatores sociais tem interferido, nas últimas décadas, no número de filhos por mulher. Seguindo tendência histórica de queda desde os anos 1960, a fecundidade da mulher brasileira caiu para níveis abaixo do patamar de reposição, como revelam os dados do Censo Demográfico 2010. Entre 2000 e 2010, a Taxa de Fecundidade Total (TFT) no Brasil caiu de 2,38 para 1,90 filho por mulher.
De acordo com análise detalhada feita pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), as mulheres de menor renda (considerando renda per capita de menos de R$ 70) foram as principais responsáveis pela acentuada queda da taxa de fecundidade total no Brasil. Em 2000, o número médio de filhos de mulheres nessa faixa de renda era de 5,10. Em 2010, essa taxa caiu para 3,56. Apesar disso, entre as mulheres de maior renda (mais de R$ 1.020 per capita), os números também caíram de 1,17 para 1,11, no mesmo período.
Segundo a professora Cássia Carloto, do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na metade da década de 1980 e início de 1990 pesquisas constatavam taxa média brasileira de fecundidade entre 2,6 e 2,8. ''O Brasil teve um declínio muito rápido, comparado com países europeus. O que conseguimos em 10 anos, eles demoraram 30'', compara.
Cássia relata que essas pesquisas focavam os grandes centros urbanos, onde já havia um número expressivo de mulheres com maior escolaridade, que dispunham de métodos de controle de natalidade, tinham mais informação sobre o assunto e estavam inclusas no mercado de trabalho. ''Quando as mulheres migraram do campo e também de pequenas cidades para grandes centros, também passaram a ter mais acesso à educação, à informação e aos métodos, e isso também contribuiu para a queda da taxa de fecundidade'', completa.
Além destes fatores, em meados de 1990, o governo começou a investir, ''cada vez mais'', na distribuição gratuita de métodos anticoncepcionais, como pílula e camisinha, e também facilitou a introdução do Dispositivo Intra-Uterino (DIU) por meio da rede pública. ''Com os anos, a queda continuou e, fundamentalmente, as razões continuam sendo as mesmas'', salienta a professora.
No caso das brasileiras mais pobres, a falta de acesso à escola pública que consiga atender a demanda em tempo integral também influiu na queda do número de filhos por mulher. ''Isso ocorre porque elas não têm onde deixá-los enquanto trabalham, diferentemente das mulheres da classe média, que podem contratar uma empregada para cuidar deles ou pagar escola particular'', observa.
A professora salienta que as mulheres de melhor renda passaram a ter mais escolaridade, de nível superior, e ingressaram no mercado de trabalho para fazer carreira profissional. Com isso, começaram a ter filhos mais tarde, depois de conquistar estabilidade financeira, pensando inclusive em proporcionar melhor padrão de vida para o filho. ''Como investir na carreira, hoje em dia, demanda muito tempo e não seria possível dar muita atenção aos filhos, elas optam por ter poucos'', avalia.
Cássia acredita que o aumento do número de famílias que têm a mulher como referência, enquanto provedora econômica, pode ser outro fator que influenciou na queda da taxa de fecundidade. ''Aproximadamente 35% das famílias estão nesta situação, mas entre as mais pobres este número é maior.'' (Com Agência Graffo)



