Cai 21% taxa de mortalidade infantil, segundo Pastoral da Criança
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 18 (AE) - A Pastoral da Criança registrou uma queda de 21% na taxa de mortalidade infantil durante o ano passado entre as mais de 1,5 milhão de crianças menores de seis anos acompanhadas mensalmente em 3.221 municípios brasileiros. A pastoral é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com trabalho restrito a bolsões de pobreza e miséria, onde são feitas ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania.
Analisando a mortalidade infantil entre as mais de 250 mil crianças menores de um ano, faixa etária pela qual se calcula internacionalmente este índice, em 99 a pastoral registrou 12 óbitos para cada grupo de mil crianças acompanhadas e 18 mortes para cada mil nascidos vivos. Em 98 a taxa esteve entre 15 e 23 por mil.
Os últimos dados do Ministério da Saúde e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apontam taxa de mortalidade média brasileira de 36 por mil nascidos vivos. A pastoral trabalha com os dois dados, porque a migração faz com que muitas crianças não sejam acompanhadas.
A coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, acredita que os números podem representar uma redução da mortalidade em todo o País. Os dados de 1998, comparados com os de 1997, haviam demonstrado uma estabilidade na mortalidade. As crianças acompanhadas pelos cerca de 145 mil voluntários da pastoral representam 8,3% de todos os brasileiros menores de seis anos.
A região Sudeste é a que apresentou menor redução na mortalidade infantil no prazo de um ano, passando de 10,7 mortes por mil crianças acompanhadas para 9,6 por mil. O Estado de São Paulo teve um aumento, passando de 7,1 para 9,8 óbitos para cada grupo de mil crianças acompanhadas pela pastoral, enquanto no Rio de Janeiro o aumento foi de 7,7 para 9,3 mortes por cada grupo de mil.
Entre os Estados que apresentaram redução mais significativa da mortalidade infantil estão Alagoas (28 para 18 2), Bahia (18,4 para 13,5) e Mato Grosso (14,1 para 8,6). O Nordeste continua sendo a região com maior taxa de mortalidade infantil, com média de 78,2 por mês, enquanto o Centro-Oeste tem o menor índice (5,8 mortes por mês) entre as crianças acompanhadas.
Alfabetização - De acordo com Zilda Arns, o programa de Alfabetização de Jovens e Adultos, que fechou o ano com 32.037 alunos, é um dos principais aliados contra a mortalidade. "Pesquisas indicam que, quanto maior o grau de estudo da mãe menor é a possibilidade de morte de seus filhos", afirma.
As doenças neonatais, que aparecem nos primeiros 28 dias da criança, são as maiores causas das mortes. De acordo com a coordenadora, elas aparecem em razão da falta de um pré-natal adequado ou pela dificuldade de acesso a um bom atendimento hospitalar na hora do parto e no pós-parto. No ano passado, a pastoral gastou em suas ações pouco mais de R$ 16,3 milhões, dos quais 82% repassados pelo Ministério da Saúde.


