Cafeicultores começam a defender retenção do café
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Kelly Lima 
Franca, SP, 26 (AE) - As lideranças do setor cafeeiro sinalizaram hoje, em Franca, durante o 25º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, com a proposta de "retenção" do café até que se comprove a quebra de safra prevista para o próximo ano. Eles defendem que essa seria "a única maneira" de tentar equilibrar os preços do mercado externo e impedir a volatilidade do valor do café neste mercado.
"Estamos indicando ao produtor que é o único que sabe se vai ou não ter café o ano que vem, que segure o produto esperando melhores preços", disse o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da região de Garça, que também é membro do Conselho Nacional do Café, Manoel Vicente Bertone. Para ele, está havendo "uma série de informações truncadas que fazem com que qualquer chuva influencie nas pesquisas referentes à safra. "Hoje choveu 17 milímetros e os traders acreditam que isso pode reverter um déficit de mais de 200 milímetros de 7 meses de estiagem, fazendo com que a planta brote de repente", comentou.
Ele criticou ainda a credibilidade dada aos consultores estrangeiros em detrimento dos produtores nacionais. "Quando um boçal com o nome em inglês fala diretamente de seu escritório em Nova York que apesar da seca a produção nacional de café vai crescer 30%, as agências de notícias dão mais credibilidade do que um produtor que está vendo o desfolhamento da planta dizer que haverá quebra de 30%" disse Bertone.
Juntamente com Gilson Ximenes, presidente do CNC, Bertone defendeu a necessidade de realização de uma campanha de credibilidade dos cafeicultores brasileiros no mercado externo. "É preciso fazer com que o mercado acredite que se falamos que vamos segurar café aqui é porque realmente podemos fazer isto", disse.


