Franca (SP), 16 (AE) - Estimativa feita pela Cooperativa de Cafeicultores e Pecuaristas de Franca (Cocapec) indica que a safra de café este ano terá uma quebra de 30%, pelo menos na região da Alta Mogiana, em relação à safra de 98. A safra 99/2000, que ainda não teve início na região, deverá chegar a 700 mil sacas colhidas, contra 1 milhão do ano passado. Deste total 450 mil (3% da produção nacional) são provenientes de Franca.
Segundo o presidente da Cocapec, David Sebastião Ferreira, a queda da produção este ano já era prevista, de acordo com a própria natureza da planta, que tem cultura bianual. O que está assustando os produtores, no entanto, é que os estoques das cooperativas estão "bastante abaixo do normal".
"Estamos vindo de uma safra grande, e, portanto, deveríamos estar com um estoque maior do que na mesma época do ano passado, quando vínhamos de uma safra menor. Mas não é isso qu e está acontecendo. Os estoques estão até 20% menores, já que os produtores acabaram comercializando a maior parte da produção antecipadamente para aproveitar a alta do dólar e compensar as perdas do preço no mercado internacional", explicou ele.
A próxima safra, que deverá começar na primeira quinzena de maio, segundo Ferreira, deverá estar voltada quase que totalmente para o mercado externo. "O Funcafé deverá antecipar leilões no início do próximo ano e abrir mão de um estoque aproximado de 9 milhões de sacas, se quiser manter o mercado interno. Caso contrário, vai faltar café no País no início de 2000", acredita ele.
Isso porque, segundo Ferreira, o Brasil deverá exportar este ano pelo menos 23 milhões de sacas para atender o mercado externo, cuja demanda aumenta em 1.5% ao ano, consumindo este ano 35 milhões de sacas. Além deste crescimento, lembra ele, o mercado externo está defasado devido ao furacão Micht e ainda por causa da broca que está devastando o plantio na Colômbia.
Já para o ano 2000, safra 2000/01, na previsão da Cocapec, a produção nacional deverá estar apta para aumentar sua participação no mercado externo. Ferreira diz que somente na região da Alta Mogiana, o aumento da área de cultivo é de 10 mil hectares sobre os atuais 26 mil hectares. "Tomando como base a média de produtividade de 25 a 30 sacas por hectare na região, já dá para se estimar o montante do crescimento desta produção"
disse Ferreira.

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