Acordar mais tarde, encontrar pão quentinho, café feito na hora ou um suco natural caprichado. Essas são algumas das vantagens que têm levado cada vez mais pessoas a tomarem o café da manhã nas panificadoras. Esse hábito é brindado com o encontro de amigos, ambientes agradáveis e a tradicional leitura das notícias do dia, motivo de comentários e, às vezes, acirradas discussões.
O público dessa prática que conquista o mercado varia de empresários, que aproveitam do momento para ampliar o networking, a chamada rede de relacionamentos, até famílias inteiras, que usam as estruturas de cafeteria que algumas panificadoras adotam para a confraternização matinal.
Essa procura por parte dos clientes tem levado muitos proprietários a investirem no ramo. É o caso de Miguel Nishihara, dono da Panificadora Maringá, que há 11 anos deixou o trabalho como bancário para se dedicar ao ramo. Observando que os clientes acabavam tomando café no balcão, decidiu investir em um ambiente climatizado com mesas e cadeiras, TVs de plasma, jornais disponíveis nas mesas e atendimento diferenciado.
O pessoal faz o pedido do café e lanche e em seguida o jornal. Folhear a Folha de Londrina, por exemplo, é uma atitude. um hábito automático, segundo os clientes e o comerciante.
''Entendemos que o cliente deseja uma extensão de sua casa. Não adianta oferecer produtos de qualidade, isso é obrigação. O diferencial é o atendimento, a preocupação com o bem-estar de nosso público'', explica ele.
Nishihara conhece quase todos os seus clientes. Tanto que no café da manhã são recebidos com um afetuoso 'bom dia', seguido pelo nome. ''Eu procuro conhecer as pessoas que frequentam meu estabelecimento. Nossos funcionários são treinados para isso também, porque sabemos que o que garante o retorno das pessoas é o atendimento que receberam''.
Mesmo quem criou o hábito há pouco tempo vê vantagens. ''É algo saudável. É a segunda vez que venho e é bacana o dono deixar a FOLHA disponível para leitura. Achei até que era de alguém, mas aí vi que tinha em todas as mesas. Isso possibilita mais acesso à informação, algo importantíssimo nos dias de hoje'', afirma Marina Phônlos Lemos, técnica em assuntos universitários da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
As amigas Francielle Grigoletto e Rebeka Franco, assinantes da FOLHA, contam que o café da manhã na Panificadora Pandor, na Souza Naves, é hábito de três anos. Foi lendo o jornal que arrumaram os atuais empregos. ''Vimos nos anúncios a oportunidade de trabalho, fizemos a entrevista e fomos contratadas para trabalhar em uma linha de produtos hospitalares. Aqui estamos, trabalhando e nos encontrando diariamente para o café da manhã e a leitura do jornal'', conta Rebeka.
O advogado Jorge Willians Tauil também é acostumado a ler o jornal durante o café da manhã na panificadora. ''É um tempo onde alimentamos o corpo e também a mente com as informações do dia. Vale a pena.''
O servidor público Marcelo Lira está há um mês em Londrina e todos os dias toma o café da manhã com o filho Pedro, de sete anos, na panificadora. ''Se tivesse que preparar teria que acordar mais cedo, então tomando o café aqui podemos descansar um pouco mais e ainda aproveitar das várias opções de pães, biscoitos e sucos.''

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