São Paulo, 08 (AE) - A sensação proporcionada pela mudança abrupta nas condições do mercado é contraditória, dizem alguns cafeicultores. Ao mesmo tempo que se vislumbram boas possibilidades de recuperação do mercado, em função do pequeno volume da safra deste ano e dos baixos estoques mundiais, há uma forte ameaça de queda das cotações por causa da perspectiva de uma superprodução no próximo ano. Último levantamento feito pela Embrapa indica que a colheita atual deverá resultar numa oferta de 23 milhões de sacas, volume insuficiente para atender ao mercado interno, que consome 12,2 milhões de sacas, e às exportações, cujo volume é estimado em 19 milhões de sacas.
Mesmo assim, os preços permanecem próximos a US$ 80 por saca de 60 quilos, apenas US$ 20 acima do custo médio de produção. O que impede que os preços voltem ao menos aos históricos níveis de US$ 100 a saca são as boas condições climáticas e a saúde das lavouras brasileiras que, segundo algumas estimativas menos conservadoras, a safra em 2000 poderá chegar a 40 milhões de sacas. Mas os cafeicultores mantêm a convicção de que o mercado vai reagir até o fim do ano, informa o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Haffers.
Essa também é a opinião da professora de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Sylvia Saes, uma das mais credenciadas pesquisadoras do setor de café. Para ela, a queda dos preços deve-se ao açodamento com que os produtores foram ao mercado externo. Até julho, o País embarcou 9,9 milhões de sacas
36,9% mais do que em igual período do ano passado. O ímpeto dos exportadores provocou uma baixa na receita cambial de 28,6% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado de uma queda nos preços externos de 31,7%.
Os cafeicultores não estão sendo ameaçados por alta tão expressiva dos custos, como os demais setores. Estudo feito pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) mostra uma elevação de 16,3% para a cafeicultura como efeito de uma desvalorização cambial estimada em 30% pela entidade. A maior variação do câmbio não deverá alterar significativamente os custos, uma vez que mais de 60% dos gastos para o trato da cultura correspondem a mão-de-obra. (I.D.A.)

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