Cães já atacaram 451 pessoas desde o início do verão em São Sebastião
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Roseli Loturco 
São Sebastião, SP, 22 (AE) - Desde o início do verão, 451 pessoas foram atacadas por cachorros nas 34 praias que recortam a costa litorânea de São Sebastião, no litoral norte paulista. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo o diretor do Pronto-Socorro de Boiçucanga, o médico Léo Jardim, cerca de 90% das agressões foram provocadas por cães de raças violentas tipo rottweiler, pit bull, dobermann, pastor alemão e fila. "As vítimas, quase sempre turistas e moradores de veraneio, são presas fáceis desses cachorros que são treinados para atacar. Não escolhem sexo, cor, idade ou status social", avalia Jardim.
Em São Sebastião, existe uma lei municipal que proíbe o passeio de animais, com ou sem coleira, nas praias da cidade, prevendo multas de R$ 532,00 a R$ 1.596,00. No entanto, a Secretaria do Meio Ambiente (SAM) admite não ter estrutura suficiente para fiscalizar uma extensão de mais de 100 quilômetros de praia. Ao todo são 28 fiscais e não existe um canil ou centro de zoonose municipal. "Uma cidade praiana como São Sebastião não ter um Centro de Tratamento de Zoonose do município, não tem cabimento. Cachorros transitam livremente por aí e quando são apreendidos, não têm para onde ir", dizem o secretário municipal do Meio ambiente, Eduardo Hipólito e o presidente da Sociedade Amigos de Maresias (SAM), José Roberto de Menezes.
A SAM mantém o único centro de tratamento canino da cidade com 11 baias e capacidade para até dois cães em cada. A clínica particular no entanto, não atende nem a 10% da demanda total. Em 7 de setembro de 1999 a prefeitura em parceira com a SAM e as Polícias Militar e Florestal organizou a chamada Operação Praia Limpa com o objetivo de retirar os cachorros das praias e conscientizar seus donos. Segundo o secretário Hipólito
a operação funcionou, mas foi um ato de um dia só. "Para que haja sucesso, na retirada do cachorro na praia, é necessário uma ação conjunta constante", diz.
Polícia - Segundo ele, há dois problemas a serem considerados: um de saúde pública e outro de polícia. "O cachorro passear na praia é um caso de saúde pública e, portanto, de infração ambiental, mas quando o cachorro agride o banhista, passa a ser um caso de polícia, e a prefeitura já não tem o que fazer". As vítimas dizem ter denunciado os casos e feito boletim de ocorrência. Mas os titulares dos três distritos policiais regionais afirmam que não existe nenhuma ocorrência deste tipo registrada em seus arquivos neste verão.


