Caem as exportações de calçados
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 28 - As exportações brasileiras de calçados fecharam o primeiro trimestre deste ano em US$ 317 milhões. O valor ficou 8,1% abaixo dos US$ 345 milhões apurados em igual período de 1998 mas sinaliza uma recuperação dos negócios internacionais, informou hoje a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados). De acordo com a entidade, em março as vendas externas já superaram em 5,2% o faturamento do mesmo mês do ano passado, com um total de US$ 103,3 milhões. O volume exportado cresceu 5,4%, passando de 12,8 milhões para 13,5 milhões de pares. Em fevereiro a receita havia caído 2,6% em comparação com fevereiro de 1998, para US$ 115 milhões, e em janeiro o recuo havia sido de 23%, para US$ 98,8 milhões.
No acumulado do trimestre, a quantidade de calçados exportados caiu 2,2% em relação ao período de janeiro a março de 1998, recuando de 40 milhões para 39,1 milhões de pares. A queda foi maior no faturamento porque a recuperação das vendas está ocorrendo especialmente na Argentina, que importa produtos de menor valor agregado em comparação aos Estados Unidos e à Europa. O presidente da Abicalçados, Élcio Jacometti, explicou que a expansão acelerada das vendas para o Mercosul está compensando a reação mais lenta de outros mercados. Na opinião dele, se o País mantiver o ritmo de recuperação econônica e não ocorrerem novas crises financeiras mundiais, os calçadistas poderão atingir níveis de exportações mais favoráveis este ano, depois da queda de US$ 1,5 bilhão em 1997 para US$ 1,3 bilhão em 1998.
O objetivo da indústria é ampliar em em 25% as vendas externas neste ano. A Abicalçados, a Assintecal, que reúne as empresas fornecedoras de componentes e a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) já solicitaram ao governo federal a redução do imposto sobre os insumos sensíveis à devalorização do real, como os produtos químicos, que representariam entre 25 e 30% do preço final do calçado. As entidades também pediram a ampliação do financiamento às exportações pelo Banco do Brasil. As duas medidas, em conjunto com o impacto favorável da desvalorização cambial sobre os preços dos produtos nacionais no exterior, permitiriam aumentar em US$ 350 milhões este ano, com a criação de 20 mil empregos diretos e indiretos, calcula a Abicalçados.


