Manaus, 01 (AE) - Após 62 dias passados entre dois canis de Manaus, por decisão inédita do juiz Victor André Gomes, da 13ª Vara do Juizado Especial Criminal, a cadela Luna voltou para a residência de sua dona, a relações públicas Nilza Piassa. Desde domingo, a american staffordshire não desgruda de Nilza. O destino da cadela é incerto e pode ser decidido até pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
Amanhã (02), o advogado contratato por Nilza, Luiz Dantas Vasconcelos, ingressa com um recurso na Justiça contra a decisão do juiz, baseado no direito de propriedade.
No dia 12 de dezembro, a cadela latiu para o motorista do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA), Walter de Oliveira Pinto. Ele estava aguardando no condomínio Jardim Veneza, no bairro Parque 10, o presidente do TJ, desembargador João Vidal Pessoa, que é vizinho de Nilza. No mesmo dia, policiais foram à residência dela e determinaram que Luna fosse retirada do condomínio em 48 horas. "Eu entrei em pane e disse que não faria isso. Três dias depois, recebi uma intimação", contou.
No Juizado Especial, o motorista Walter Pinto formulou a queixa, dizendo que Luna o importunava. Em depoimento, declarou que a cadela avançou contra ele. Nilza rebateu, dizendo que a cadela apenas latiu. Mais cinco testemunhas foram ouvidas. O depoimento do carteiro Francisco Eimar Higino Matias foi determinante para a condenação da cadela. Há dois anos, Luna mordeu o braço do carteiro. Ao juiz Matias, disse que o ataque tinha sido na calçada da residência. Segundo Nilza, a cadela o mordeu porque ele entrou na garagem da casa.
"Luna é adestrada. E muitos a confundem com o pitbull. Mas ela é como se fosse minha terceira filha", disse. "Hoje, estamos inseguras. Eu morro de medo que outra ordem judicial leve-a de volta ao canil". Isso pode acontecer se o recurso do advogado for indeferido pela turma recursal do Juizado Especial. Nesse caso, o processo segue para Brasília.

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