Uma comissão formada pelo Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu, Pastoral do Migrante e Centro Internacional de Direitos Humanos realizou uma vistoria na Cadeia Pública de Três Lagoas na tarde de ontem, para verificar as condições de vida dos 330 detentos que estão no local. A comissão também foi investigar uma denúncia de que um preso estaria fazendo greve de fome há 26 dias.
A vistoria realizada pela comissão será relatada em um documento que deve ser enviado às secretarias estaduais de Segurança Pública e de Justiça e Cidadania, ao juiz corregedor Rui Muggiatti e à Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os itens abordados pela comissão está a questão da aplicação das leis de execuções penais, infra-estrutura do prédio e atendimentos aos detentos.
Segundo o secretário-executivo do CDH de Foz, Pedro Garcia Ruiz, a vistoria é realizada todos os anos para que seja possível traçar um perfil da situação carcerária da cadeia. ‘‘Sabemos que a situação da cadeia de Foz é grave e por isso precisamos documentar para que as autoridades se conscientizem da necessidade de um penitenciária na cidade’’, disse.
O presidiário Antonio Belarmino da Silva Neto, 36 anos, que alega estar fazendo greve de fome, está preso por extorsão desde 11 de dezembro de 1998 e disse que quer chamar a atenção das autoridades para seu caso. Silva Neto disse que sua mulher - que está grávida de cinco meses - e seus dois filhos estão passando fome e por isso decidiu fazer greve. Ele também afirma que já perdeu a visão de um dos olhos e estaria prestes a perder a visão do outro olho.
‘‘A gente não tem nenhum tipo de atendimento aqui. Eu vou continuar fazendo greve de fome até que alguém me atenda. Preciso de médico e atendimento jurídico. Eu fui acusado de extorsão e nada foi provado. Estou aqui sem poder fazer nada por minha família que está passando fome’’, disse. Silva Neto também tem dois mandados de prisão, um por tráfico e outro homicídio e já cumpriu pena por furto.
Ontem, o preso Jarbas de Souza Ronconi, 23 anos, foi esfaqueado no pátio da cadeia enquanto tomava sol. Ele está internado na Santa Casa e seu estado de saúde é grave. A polícia não identificou o preso que teria esfaqueado Ronconi.Na semana passada, um detento foi morto depois de uma briga na cadeia.
Apenas dois policiais civis fazem a guarda interna da cadeia e três policiais militares cuidam da parte externa. A Cadeia Pública de Três Lagoas tem capacidade para 168 presos, mas abriga atualmente 330. Desse total, apenas 130 já foram condenados.Ney de SouzaTrês Lagoas tem capacidade para 168 detentos, mas abriga 330Edna Mendes

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