Cadeia têxtil contrata 50 mil este ano
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 02 (AE) - O aumento das exportações, o crescimento das vendas internas e a criação de 40 a 50 mil empregos diretos devem dar à cadeia têxtil brasileira motivos de sobra para comemorar a chegada do fim do ano. "O setor deve ser o empregador do ano", diz convicto o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf.
Seus números estão baseados na retomada de fôlego de toda a cadeia, composta por fiações, tecelagens, fabricantes de roupas de cama, mesa e banho e confecções. O mercado interno vai fechar o ano com um faturamento de US$ 20 bilhões, cerca de 5% a mais do que no ano anterior. As exportações devem chegar a US$ 1 3 bilhão, um aumento de 20% em relação a 1998. E a partir de 2002 a meta é chegar a US$ 4 bilhões por ano.
Com este faturamento o setor estará praticamente reconquistando a participação de 1% no mercado exportador. "Esse porcentual foi alcançado em 1980, e depois perdido entre vários planos econômicos", explica Skaf. Hoje a participação dos têxteis brasileiros no comércio mundial é de 0,3%.
O cenário começou a mudar e se tornar favorável para a indústria têxtil no início do ano com a alteração da política cambial. A desvalorização do real, lembra o presidente da Abit, reduziu as importações e propiciou o aumento das exportações. "Conseguimos também reprimir boa parte das importações ilegais e investimos US$ 6 bilhões nos últimos seis anos em tecnologia, modernização e treinamento de mão-de-obra", diz.
O resultado foi a recuperação das vendas e a contratação maciça de trabalhadores. Só de maio a agosto foram empregadas cerca de 20 mil pessoas, e a perspectiva é fechar o ano com a contratação de mais 20 mil ou 30 mil trabalhadores. No ano passado não houve contratações. Segundo Skaf, boa parte das vagas abertas no primeiro semestre pode ser creditada ao aumento das vendas internas. No segundo semestre melhoraram também as exportações.
Para o ano 2000 o peso da exportação na cadeia deve crescer significativamente, com um crescimento de 30% no volume de vendas. "Estamos procurando incrementar a exportação para o ano que vem com uma série de ações", diz o presidente da Abit. Entre elas, Skaf cita a intenção de levar para feiras no exterior um número mais expressivo de empresas nacionais, para promover com maior ênfase a confecção brasileira. Ele também apresentou ao ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, uma proposta de financiamento, via BNDES, destinada a grandes produtores interessados em entrar no mercado externo através de um rede de distribuição ou marca conhecida.
A dor de cabeça enfrentada pelo setor com a imposição pela Argentina de cotas de importação para cinco categorias de produtos têxteis brasileiros está aparentemente superada. A Organização Mundial do Comércio (OMC) recomendou que o governo argentino retire as cotas de importação sobre os têxteis brasileiros. "É uma recomendação que geralmente os países acatam", diz. "Não creio que vamos ter problemas principalmente com a troca de governo na Argentina."


