São Paulo, 27 (AE) - Representantes dos revendedores independentes de carros, peças, pneus e das oficinas mecânicas deverão ser convidados a participar da próxima reunião que debate o programa de renovação da frota de veículos. Eles se reuniram hoje, em São Paulo, com o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, que teria garantido a participação nas discussões. Esses setores temem que a retirada dos carros velhos das ruas provoque significativa queda nos seus negócios.
O presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Estado de São Paulo (Sindirepa), Geraldo Santo Mauro
disse que os quatro segmentos empregam cerca de 2 milhões de pessoas em todo o País e faturam R$ 43 bilhões ao ano, além de recolherem em impostos o equivalente a R$ 4 bilhões. Para ele, da forma em que está sendo feito, o programa de renovação terá impacto somente em alguns setores.
"É o mesmo que vestir um santo para despir outro porque vai garantir empregos nas montadoras e cortar nas oficinas e lojas", acrescentou o vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), Márcio Olívio Fernandes da Costa. Há cerca de 40 dias, as entidades representativas desses setores criaram a Câmara do Comércio e Serviços Automotivos da FCESP para reivindicar a participação no projeto, que vem sendo desenvolvido pelas montadoras, sindicatos dos metalúrgicos e governos federal e de São Paulo.
Segundo Santo Mauro, Mattar garantiu que eles seriam chamados para os próximos debates. O secretário não quis falar com a imprensa. As entidades independentes não se comprometeram, contudo, em contribuir com o valor do bônus de R$ 1,8 mil que deverá ser entregue ao proprietário que deixar o carro com mais de 15 anos para ser desmontado em centros de reciclagem.
Pela proposta em discussão, para compor o bônus o governo federal participaria com R$ 700 em forma de redução do IPI, o governo estadual com R$ 500 em redução do ICMS e as montadoras e as concessionárias com R$ 300 cada, além de se encarregarem do sucatamento. O governo federal deve anunciar nos próximos dias se vai participar do projeto.

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