Cadeia de Salvador permite que presos homossexuais recebam parceiros em visitas íntimas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 12 (AE) - A direção da Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, já está permitindo que presos homossexuais recebam visitas íntimas de parceiros, como ocorre com os condenados heretossexuais. Pouco divulgada, a medida foi autorizada há um mês para todos os presídios brasileiros pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministerio da Justiça, atendendo reivindicação de entidades de defesa dos homossexuais de todo o País.
Na Lemos Brito, os encontros íntimos de presos com suas companheiras ocorre sempre às sexta-feiras. Os detentos homossexuais poderão manter seus encontros nesse mesmo dia, conforme revelou o diretor da penitenciária baiana, Osvaldo Alves. Para tanto, o detento precisa cumprir as normas: fazer uma soliticação formal à diretoria da penitenciária que elaborará um cadastro do parceiro. O cadastro é enviado ao serviço social que tem a função de comprovar a ligação afetiva entre o preso e o seu companheiro. Só então é autorizada a visita.
Até esta semana, nenhum preso homossexual havia requerido o direito da visita íntima. O diretor do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, porém, acredita que essa situação deva mudar. O GGB realiza trabalho de prevenção de doenças sexualmente transmitíveis junto à população carcerária homossexual de Salvador. Segundo ele, o Ministério da Justiça autorizou as visitas íntimas inclusive para facilitar o trabalho de prevenção à aids. "Vamos intensificar a distribuição de preservativos e esclarecer como se pega aids aos presos", disse. Cerqueira estima que pelo menos 10% dos cerca de 800 presos da Lemos Brito são homossexuais.


