Brasília, 21 (AE) - Os integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiram hoje investigar as denúncias mútuas veiculadas em anúncios publicitários da Kaiser e da Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), empresa criada a partir da associação entre a Brahma e a Antarctica.
Além de decidir pela investigação, o Cade aplicou hoje uma multa de 755 mil Ufir (R$ 737,6 mil) à Brahma e à fabricante norteamericana de cervejas Miller. As empresas foram punidas por terem descumprido um prazo estipulado pelo Cade para apresentação de um aditamento ao contrato de associação entre elas.
O aditamento prevê a retirada de uma cláusula do contrato entre as duas companhias que estabelecia que os preços das cervejas Miller deveriam ser superiores aos da Brahma. O advogado da Brahma no caso, Pedro Dutra, informou hoje que a empresa vai pagar a multa estabelecida pelo Cade por causa do atraso de 151 dias no envio dos papéis.
O Cade também estabeleceu hoje um prazo de 15 dias para que a Brahma faça uma oferta pública de envasamento de 17 mil hectolitros de cerveja e de um programa de auxílio técnico a pequenos fabricantes, que são duas condições estabelecidas pelo órgão para a aprovação da associação.
Publicidade - Se existirem indícios de que as acusações presentes nas publicidades da AmBev e da Kaiser têm fundamento, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) pode abrir uma averiguação preliminar. Advogados que frequentam o Cade acreditam que essa investigação pode atrasar a tramitação do processo de associação entre a Brahma e a Antarctica. Mas o presidente do Cade, Gesner Oliveira, garantiu que isso não ocorrerá.
Na publicidade da AmBev, a empresa informa que a Kaiser pertence à Coca-Cola, que tem táticas como preços predatórios contra as tubaínas. A AmBev também diz que a Coca-Cola pratica venda-casada. Já a Kaiser, afirma que a AmBev domina o mercado e determina os preços pagos pelos consumidores.

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