Brasília, 16 (AE) - O presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, quer que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, só conclua seu parecer sobre o processo de fusão das cervejarias Brahma e Antarctica após a conclusão do inquérito policial que investiga a suposta tentativa de suborno de conselheiros do Cade. Pandolpho esteve reunido está manhã com representantes da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara, discutindo o processo de criação da Ambev. "Tenho convicção que o Cade deve esperar o resultado do inquérito policial para a manutenção da lisura desse processo", afirmou.
Ele disse ainda que a Kaiser está ingressando hoje na Justiça Federal de São Paulo uma interpelação judicial para que a direção da AmBev comprove que a Kaiser é controlada pela Coca-Cola. Na semana passada, os co-presidentes da AmBev Marcel Telles e Victório De Marchi em audiência pública da Comissão de Economia da Câmara acusaram a Kaiser de ser majoritariamente controlada pela Coca-Cola. O presidente da Kaiser reafirmou que a Coca-Cola detém apenas 10% do capital da Kaiser. "A AmBev terá que se retratar junto à opinião pública".
Ainda durante reunião com deputados, Pandolpho ressaltou que o relatório da Secretaria de direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça sobre o processo de fusão das cervejarias Brahma e Antarctica indicava uma série de "enganosidades" e omissão de informações por parte da Brahma e Antarctica. O executivo da Kaiser insistiu que a lei de livre concorrência determina punições para esses tipos de infrações e ponderou com os deputados sobre a necessidade de aplicação dessas punições.

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