Brasília, 18 (AE) - Por quatro votos a dois, os conselheiros do Cade aprovaram hoje à noite a instalação de uma comissão de sindicância para apurar se houve irregularidade na sessão do conselho realizada no dia 11 de agosto, quando começou a ser julgada a operação de aquisição da Liquid Carbonic pela White Martins.
Naquele dia, o julgamento foi suspenso depois que a conselheira Lúcia Helena Salgado e Silva afirmou não ter recebido cópia do relatório sobre a operação, embora a Secretaria do Cade tenha garantido que o documento foi entregue no gabinete dela. A comissão deverá apurar também indícios de vazamento antecipado da informação de que o julgamento seria suspenso.
A suspensão da sessão aconteceu às 17h45, mas uma agência de notícias já havia divulgado essa informação às 15h09. O presidente do Cade, Gesner Oliveira, deu voto contrário a que a sindicância fosse aberta neste momento. Ele queria que, antes disso, fosse feito à conselheira um pedido de informações sobre o caso.
O conselheiro Marcelo Calliari acompanhou o voto de Oliveira. A abertura da sindicância foi proposta pelo conselheiro João Bosco Leopoldino, ex-juiz federal e do trabalho.
Leopoldino disse que a legislação impede julgadores de anteciparem decisões e que chegou a pensar, inicialmente, em levar o assunto à apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, à qual o Cade presta contas. Leopoldino justificou o pedido de instalação da comissão dizendo que, se não fizesse isso, poderia ser acusado de prevaricação, já que ele conhece os fatos.
A comissão será integrada por funcionários estáveis do Cade. Existe, porém, divergência sobre quem indicará esses funcionários. Segundo Leopoldino, a competência para isso é do procurador-geral do conselho, Amaury Serralvo, mas Gesner Oliveira acredita que a competência é sua.

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