Curitiba - O corpo de um homem que teria sido usado por um grupo de pessoas para fraudar o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) foi exumado ontem à tarde, no cemitério do Boqueirão, em Curitiba.
Antonio Souza, que teria 45 anos, foi enterrado como sendo Odilon Lopes, 61, preso pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), junto de sua filha, Ana Paula Lopes, 21, e do corretor Cláudio Lopes. Eles seriam os responsáveis pela suposta fraude que rendeu R$ 13 mil.
Souza teria morrido após um acidente de trânsito. Ele teria saído de bicicleta e, na rua Winston Churchill, colidido com outra bicicleta, no dia 8 de agosto de 2006. Entretanto, o médico legista Alexandre Gebran afirmou que encontrou um buraco na parte superior do crânio de Antonio - que seria a marca de um projétil calibre 22.
A exumação foi acompanhada pelo delegado Wagner Holtz Merege Filho, pelo médico legista do Instituto Médico Legal (IML) e pela irmã adotiva da vítima, Joanita Sadak, 64 anos. Ela esteve no local e reconheceu o cadáver como de seu irmão, Souza, por características peculiares da arcada dentária. ''Visitei ele várias vezes no hospital. Depois quando fui de novo (na última vez) disseram que tinha sido enterrado como indigente. Ele estava de bicicleta'', contou Joanita.
Souza teria sido enterrado no início de junho de 2007, depois de dez meses internado no Hospital do Trabalhador. Embora a polícia confirme que o túmulo 59, da quadra 148, na rua 62 do cemitério do Boqueirão, é o local onde Souza está enterrado, a confirmação só deve aparecer entre 30 e 60 dias depois do confronto do material genético de Souza e de um familiar legítimo. ''Apenas o exame de DNA, comprovará que o corpo exumado é realmente de Souza. O material genético foi fornecido por uma irmã legítima dele'', explicou Merege.
Enquanto o resultado do exame de DNA não fica pronto, a polícia continua a análise dos cerca de mil laudos que o IML forneceu, emitidos entre os anos de 2005 e 2008, que estão sendo investigados por suspeita de serem falsos, como o laudo de Odilon Lopes.
Odilon teria tido o auxílio de João Cavalli, papiloscopista que trabalha no IML, para identificação dos cadáveres que chegavam no órgão. Cavalli é ex-funcionário do IML, preso em abril, acusado de participar da venda do corpo de um indigente para que um homem aplicasse um golpe de um milhão e meio de dólares em uma seguradora norte-americana.
A Secretaria de Estado da Saúde (SESA) informou que, no dia 8 de agosto de 2006, Souza foi levado pelo Siate até o Hospital do Trabalhador, onde permaneceu internado. Segundo a SESA, o Siate levou Souza para o hospital como vítima de colisão entre duas bicletas, com traumatismo crâniano encefálico. Ele teria passado por uma cirurgia craniana.

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