Cada um tem a sua história para contar sobre invasões
Lilian Dayane Pereira, de 20 anos, foi uma das responsáveis pelo preparo das refeições durante os dias de permanência do Mast na Fazenda Ribeirão Bonito. Acampada com o marido, o agricultor Adilson Inácio da Silva, de 31, na Fazenda Itambé, que fica em Jundiaí do Sul e já foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ela estava na Ribeirão Bonito ''apenas para ajudar''.
A história de Lilian chama a atenção pela troca de um confortável apartamento no Centro de Londrina por um acampamento do Mast. ''Minha mãe mora na Avenida Souza Naves e tem uma loja na Rua Piauí. Antes de vir para cá eu trabalhava com ela. Quando me casei, resolvi, com o marido, tentar conseguir um pedaço de terra'', contou. O fato de estar acampado numa área já desapropriada pelo Incra, não impediu que Adilson participasse da invasão da Ribeirão Bonito.
O casal de agricultores Alípio de Souza, de 60, e Maria Helena de Souza, de 58, está acampado à beira da rodovia há sete meses. Enquanto aguardam a boa notícia de uma desapropriação onde consigam um lote, eles sobrevivem com uma cesta básica que recebem mensalmente do Incra.
''Na cidade eu não consigo nenhum emprego por causa da minha idade. A vida inteira trabalhei na roça, não tenho estudo. A nossa esperança é conseguir um pedaço de chão'', disse o agricultor.
Enquanto o marido levantava um pequeno barraco dentro da fazenda, Maria Helena permanecia no barraco que o casal construiu às margens da rodovia. ''Não vou para lá porque minha saúde não está boa. Recentemente sofri um infarto. A verdade é que eu não aguento mais ficar na beira da estrada'', lamentou. (W.S.)





