O episódio ocorrido na Catedral Metropolitana de Londrina nesta segunda-feira (13) foi o mais violento já registrado, mas não foi o único caso de criminosos que invadiram o templo para roubar. O monsenhor Bernardo Carmel Gaffá foi o responsável pela Catedral por 31 anos, até ser transferido, neste ano, para a Paróquia Imaculada Conceição e conta que nunca passou por nenhuma situação de violência como a vivenciada agora, com reféns. Mas furtos e roubos não são incomuns nas dependências da igreja, segundo o sacerdote. "Já houve caso de furto da torneira do banheiro, um assaltante já entrou sozinho na Catedral, ameaçou a secretária e levou o dinheiro que estava na gaveta e o cofre da sacristia já foi levado durante a noite, mas isso tudo foi há muito tempo", relatou.

"Quem entrou na Catedral hoje tem conhecimento das coisas. Sabia como era a rotina financeira", comentou Gaffá. "Infelizmente, isso acontece em todo lugar." Ainda na época em que o monsenhor era responsável pela Catedral, foram instaladas câmeras de monitoramento e contratados vigilantes para garantir a segurança dos funcionários, dos fiéis e do patrimônio.

Na Paróquia Imaculada Conceição também há câmeras, mas o monsenhor não pensa em reforçar a segurança. "Aqui não tem o que levar. Eles vão aonde acham que há o que roubar. Aqui não tem."

Em cada arquidiocese, as paróquias são independentes para adotar as medidas de segurança que considerarem necessárias. Na Catedral Metropolitana de Maringá (Noroeste), câmeras de monitoramento foram instaladas há alguns anos, mas o sistema de segurança foi reforçado no final de 2015, após um episódio curioso, no qual uma mulher tirou toda a roupa durante a celebração de uma missa. A nudez inesperada fez o responsável pelo templo aprimorar a vigilância. Atualmente, além do circuito interno de monitoramento, há vigilantes no local dia e noite. Não há registros de assaltos na catedral.

"Hoje, a maioria das igrejas da Arquidiocese de Curitiba já tem monitoramento. Cada paróquia vê a sua necessidade. Algumas têm segurança, outras só câmeras. Depende da localização e da situação financeira de cada uma", disse a responsável pela assessoria financeira da arquidiocese, que pediu para não ter o nome publicado.

Para evitar situações como a registrada nesta segunda-feira na Catedral de Londrina, a Arquidiocese de Curitiba orienta os responsáveis pelas paróquias a manterem a discrição na divulgação dos valores arrecadados em festas e outros eventos. Há quem goste de revelar os valores, como forma de prestar contas aos fiéis, mas a determinação é que mantenham segredo para evitar chamar atenção de ladrões. Durante as festas, a recomendação também é retirar o dinheiro do caixa várias vezes e fazer pequenos depósitos em diferentes caixas eletrônicos. "São orientações caseiras, mas que sempre vale reforçar", comentou.

Mesmo com todos os cuidados preventivos, as igrejas ainda são surpreendidas pela visita dos criminosos. Há cerca de um mês, a Igreja dos Passarinhos, em Curitiba, ficou 15 horas sem energia elétrica depois que ladrões furtaram mais de 70 metros de fios de cobre, um prejuízo de R$ 2,5 mil. "A Igreja dos Passarinhos é meio perseguida. Pela localização (no bairro Bigorrilho), não era para ser assim, mas tem acontecido. Até do lado de fora acontece, com os veículos dos fieis", disse a assessora. "São situações esporádicas, por enquanto estamos conseguindo manter a segurança, mas estamos vulneráveis. E não podemos deixar as igrejas fechadas."

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