Cada ano de estudo aumenta renda
O investimento na educação também é defendido pelo economista Marcelo Neri como saída para melhorar as condições de vidas dos miseráveis. E para isso ele cita números. O economista conta que a cada ano adicional de estudo a renda de trabalho do brasileiro aumenta, em média, 16% ao longo da vida. ''Isto é, se a renda de um analfabeto é de R$ 100, esta será de R$ 116 se este analfabeto acumular um ano de estudo e assim por diante'', explica.
As vagas no mercado também crescem de acordo com a escolaridade: 52% de analfabetos conseguem empregos, contra 87% dos que têm diploma universitário.
Neri, porém, lembra que os investimentos em educação são crescentes, mas demorados, o que influencia na decisão dos mais pobres em sair das salas de aula numa situação extrema, como a perda do emprego do chefe da família.
''O Bolsa-Escola, neste sentido, é um projeto muito bom, porque ele ataca o problema imediato, a falta de recursos, e, ao mesmo tempo, produz um capital humano que será sentido pela criança ao longo dos anos'', ressalta. E são, justamente, as crianças as mais afetadas pela pobreza.
Segundo o pesquisador da FGV, 45% dos miseráveis brasileiros têm menos de 15 anos de idade. Isso se explica, na opinião de Neri, pela ausência de representatividade política das crianças. ''Criança não vota, mas você pode dizer que a mãe dela vota. O problema é que existe uma mãe, com vários filhos, com direito a apenas um voto. Ou seja: 45% dos 50 milhões de miseráveis não são eleitores.'' (M.F.M.)





