Quatro Pontes - A distância entre os municípios de Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) e Quatro Pontes (Oeste) vai além dos cerca de 430 quilômetros que os separam territorialmente. Enquanto o ex-distrito de Londrina apresenta o menor Índice de Desenvolvimento Humano (0,62) e o pior Produto Interno Bruto (PIB) per capita entre as 12 últimas cidades instaladas no norte paranaense (R$ 12.748), os quatro-pontenses convivem com indicadores socioeconômicos de causar inveja em grandes cidades do Estado. O município, desmembrado de Marechal Cândido Rondon (Oeste), foi instalado em 1º de janeiro de 1993, dois anos antes de Tamarana. Ostenta IDH acima da média nacional (0,79 contra 0,73) e seu PIB per capita de R$ 25.034 supera o de Londrina (R$ 21.071) e quase se equivale ao de Maringá (R$ 26.810).
Dos 75 municípios mais novos do Paraná - aqueles que foram instalados na década de 90, Quatro Pontes é o único cujos indicadores como IDH e PIB superam os de sua "cidade-mãe", conforme levantamento feito pela FOLHA com base em dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Sudoeste e no Oeste do Estado, por sinal, se concentram as cinco cidades caçulas com melhores índices de desenvolvimento.
Na avaliação da secretária de saúde e vice-prefeita de Quatro Pontes, Ana Maria Gorgen, o trabalho coeso e integrado entre as secretarias municipais ajuda a explicar os bons índices de desenvolvimento do município. "Aqui tudo anda. Temos um trabalho participativo das secretarias. Na saúde mesmo, toda equipe trabalha de forma integrada e assim as coisas vão fluindo", afirma. Com população estimada de apenas 3.963 moradores, Quatro Pontes não tem hospital e conta com apenas um posto de saúde. De acordo com Ana Gorgen, o investimento em saúde preventiva é um diferencial capaz de suportar a demanda de cerca de 100 atendimentos diários na UBS. "Fazemos muitas campanhas educativas de prevenção. Além disso, o percentual do orçamento destinado à pasta sempre ultrapassa os 20% previstos em lei", aponta. Os casos de maior complexidade são encaminhados a hospitais terciários de Toledo (a 32km), com quem a prefeitura tem convênio, segundo a secretária.
Em relação às benesses da emancipação política de Quatro Pontes, Ana Gorgen, empresária e ex-vereadora, diz que o desmembramento possibilitou novos recursos ao município. Ela tem uma explicação curiosa para a aquisição de verbas estaduais e federais. "Eu sou do PSDB, partido do governador [Beto Richa]. E o prefeito [Paulo César Feyh] é do PT, partido da presidente [Dilma]. Então, temos representatividade dos dois lados. E temos muito a crescer", aposta. Ontem mesmo o prefeito estava viajando a Brasília, o que o impediu de atender a FOLHA.

FATOR RURAL
Londrinense radicado em Tamarana há 27 anos, o vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Toni Jess Torresin, de 47 anos, credita o baixo índice de desenvolvimento humano do município ao fato de metade da população ainda viver na zona rural. "Pelo menos 50% da população moram na zona rural, onde o serviço de saneamento básico não é integral. Além disso, nós temos uma aldeia indígena em nosso território com 1,6 mil moradores", aponta. "Se pegarmos só a zona urbana, o IDH melhora", completa.
Um problema insolúvel, segundo ele, é a baixa remuneração salarial dos servidores. "O salário dos nossos concursos públicos é realmente baixo e ainda não temos implantado o plano de carreiras e salários. Não conseguimos dar aumento porque não podemos ultrapassar o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Como a arrecadação ainda não é a ideal, por hora não há o que fazer", reconhece.
O Hospital Municipal São Francisco funciona 24 horas, mas é de pequeno porte - não realiza cirurgias, atendendo consultas e casos de urgência e emergência. O vice-prefeito de Tamarana afirma que a média diária de atendimentos é de 60 pessoas, metade delas vindas de localidades vizinhas, como Mauá da Serra, Ortigueira e dos distritos londrinenses de Lerroville e Guaravera. Ainda assim, ele considera positiva a emancipação. "Os recursos que vêm nós sabemos como aplicar e distribuir, conseguimos autorização para investir no município. Londrina tem seus próprios problemas a resolver e sabemos que os distritos acabam ficando para trás. As subprefeituras não têm força para administrá-los sozinhos", argumenta.

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