Caciques ocupam nucleo da Funai em Dourados, MS
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 07 (AE) - Quarenta caciques guarani-kaiowás ocupam o núcleo da Fundação Nacional do Índio (Funai ) de Dourados, a 200 quilômetros de Campo Grande, no sul do Mato Grosso do Sul. Os índios invadiram o local com flechas, lanças e tacapes por volta das 7h de segunda-feira (05). Eles expulsaram os coordenadores da Funai Elias de Oliveira e Antonio Ferreira, acusados de uma série de irregularidades no núcleo, principalmente desvio de verbas destinadas ao fomento da agricultura indígena.
A administração regional da Funai e a Polícia Federal acompanham a situação. Os caciques esperam a chegada, amanhã (08) de funcionários da presidência da Funai para negociar uma solução. Até hoje nenhum dos caciques quis identificar-se. Eles falam sempre em nome dos 40 caciques que comandam 19 aldeias na região.
Eles querem mais terras e reivindicam a demarcação, urgente, da fazenda Taquara, no município de Juti, ocupada desde abril por 200 índios. Também reclamam da assistência aos índios mais necessitados. Os líderes apontam a demora na entrega de cestas básicas e no socorro médico. E pedem providências para o comércio de drogas como maconha e cocaína, além de bebidas alcoólicas na maioria das aldeias.
Os caciques afirmam que os suicídios são consequência da política inadequada da Funai na região. Lembram que somente em 99 foram 2 suicídios, sendo quatro deles na Aldeia Panambizinho
onde vivem 260 índios em apenas 68 hectares. Os outros oito suicídios aconteceram na Aldeia de Dourados, que abriga sete mil índios em 3.500 hectares.
Cimi - Integrantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) entendem que a mudança do núcleo da Funai em Dourados não vai significar melhora para os índios. Eles citaram exemplos de invasões de sedes do órgão no estado, com substituição de dirigentes, mas nada foi resolvido. Lembraram apenas oito reservas das 19 registradas na região de Dourados têm documentação total, sendo terras exclusivamente indígenas.
De acordo com documento do Conselho, nem mesmo a Reserva Indígena Kadiwel, doada aos índios por Dom Pedro I durante a Guerra do Paraguai, com 500 mil hectares é ocupada pelos kadiwel. O levantamento mostra que apenas 30 mil hectares são explorados pelos também chamados guaicurus, sendo o restante fazendas de gado alugadas para grandes pecuaristas do MS.


