Caciques do PSDB pressionam governo a rediscutir metas do ajuste
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 27 (AE) - Pressionado por caciques tucanos, o governo começa a ficar sensível para rediscutir com o Fundo Monetário Internacional (FMI) as metas do ajuste fiscal previstas para esse ano. Interlocutores próximos do presidente Fernando Henrique Cardoso garantem que esta passou a ser uma das principais preocupações do Executivo. Dentro do PSDB, a interpretação é que o País já fez um grande aperto financeiro para conseguir um superávit primário de R$ 20 bilhões até o mês de julho, quase 70% do total previsto para todo o ano de 1999, que é de R$ 30 bilhões.
No partido, ganha força a idéia do governador Tasso Jereissati (CE), que passou a defender a revisão das metas com o FMI. Longe de causar constrangimento, a tese do governador acabou dando argumentos para amplos setores do PSDB que acham necessária a flexibilização da política econômica. "Essa é uma boa idéia, já que a renegociação das metas do ajuste permite afrouxar um pouco a difícil situação que estamos vivendo", analisa o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), integrante da executiva tucana.
Ele lembra que o governo precisa resolver esta situação até junho. "Se não houver mudanças até lá, não terá mais tempo para acontecer nada", observa Alcântara. "E Malan sabe disso"
completa o senador, fazendo uma referência ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), tenta minimizar a insatisfação dos tucanos com o atual rumo da economia. "A revisão de metas com o FMI já está acontecendo", comenta o senador, apostando que essas mudanças que estão sendo cobradas devem acontecer.
Entre os tucanos, a ordem é pressionar o governo para fazer mudanças na política econômica. A interpretação, é de que os vários comentários feitos por Tasso e o governador Mário Covas sugerindo essa flexibilização deverão surtir efeito nos próximos meses dentro do Executivo. O principal sinal dessa mudança seria a troca do ministro da Fazenda Pedro Malan, que segundo os próprios integrantes do PSDB está com a situação fragilizada desde que houve a desvalorização da moeda. "A equipe econômica ficou sem credibilidade", define um senador.
A exigência por mudanças já começa a mobilizar todos os setores do partido. "O juros que estamos pagando ao FMI é uma violência", critica o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS). "Esse superávit representa uma sangria de recursos que está saindo muito caro ao País", observa o gaúcho, afinando o discurso do ninho tucano.
Segundo ele, o Brasil está cumprindo tão bem as metas estabelecidas com o FMI que tem condições de reavaliar os valores. "É preciso ter coragem para dizer que este ajuste está nos custando sangue, suor e lágrima", avalia Marchezan, ressaltando que com isso o governo deixa de investir no social. Ele lembra, porém, que essa renegociação não significa calote. "Afinal, não deixamos de pagar a nossa parte do acordo".


