Cacique denuncia venda de cestas básicas
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 02 (AE) - O cacique da tribo pancararu, Zé Índio, denunciou hoje que as cestas básicas do programa de emergência do governo federal estão sendo vendidas a R$ 1,50 aos 6 mil índios que vivem nos municípios de Tacaratu, Petrolândia e Jatobá, no sertão do São Francisco, em Pernambuco. O cacique comanda uma ocupação, feita na tarde de ontem por 120 índios, por tempo indeterminado, à sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Recife. Eles querem a garantia de que as cestas serão gratuitas e exigem o cumprimento de um acordo feito em janeiro com a Funai, em Brasília, quando foi prometido o pagamento de indenização a 200 posseiros que ocupam terras indígenas.
Segundo o substituto do administrador da Funai no Estado, Adeildo Gonçalves, a orientação da presidência do órgão é a de só negociar quando os pancararus voltarem às aldeias. Ele acrescentou que o administrador regional, José Osório, está em Brasília tentando resolver problemas dos 20 mil índios pernambucanos. Zé Índio diz que só sai depois de negociar. Cestas - Segundo Zé Índio, as cestas são vendidas pela índia Quitéria Maria de Jesus, uma liderança que teria o apoio da Funai e que gosta de que ele classificou de "politicagem". Adeildo Gonçalves explicou que o dinheiro cobrado por Quitéria é para pagar o frete do transporte das cestas que vêm de Caruaru, no agreste. Ele assegurou que a próxima remessa já será gratuita, porque passará a ser feita pela Funai. O cacique diz não confiar na promessa porque o fato já teria sido denunciado em outubro à Funai-PE, quando ele pediu, inclusive, que a Polícia Federal abrisse inquérito para apurar a irregularidade. "A Funai nada fez".


