Rio, 15 (AE) - Pepezinha vai fazer 12 anos e ganhará uma festa na terça-feira (19). Bolo e doces serão servidos para os convidados, que ganharão brindes na saída. Seria um aniversário comum não fosse Pepezinha uma cadela pequinês, as guloseimas feitas de ração e os convidados cerca de 40 cães. Pepezinha é da empresária Vera Loyola, a mais conhecida representante da chamada sociedade emergente da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
"Pepezinha é minha grande companhia", afirmou Vera. "Ela é um animal que alegra a minha vida, então, fazer a festa é uma forma de retribuir o amor que ela sente por mim". O aniversário começa às 16h, no jardim da casa onde a empresária mora, na Barra. Vera distribuiu 40 convites - um cartão em formato do cachorro Dálmata, personagem de Walt Disney, tema do aniversário. Ela só chamou amigas que têm "crianças pequenas", ou seja, cachorro grande foi barrado para evitar problemas.
Foi uma amiga que indicou para Vera duas quituteiras especializadas em fazer guloseimas de ração. Assim, além do bolo
vai ter pirulito, brigadeiro, cajuzinho e guaraná (uma bebida feita de suco de carne). A mesa da festa será coberta por uma toalha branca com desenhos de Dálmatas. Atrás, um enorme painel feito com fotos de Pepezinha. Para "as crianças" se divertirem será montada uma piscina de bolas. Na saída, cada cachorro ganhará um pacote com uma bola e ossinhos de borracha.
Para as "mães", Vera providenciará um buffet com um bolo em formato de Dálmata, doces com rostos de cachorro e sanduíches. Antes que alguém lhe pergunte, a própria Vera informa quanto gastará com a festa: R$ 500,00, um pouco menos do que quatro salários mínimos de R$ 136,00. "Isso para mim não é muito dinheiro."
"Sei que vão me criticar dizendo que faço festa para um cachorro quando pessoas passam fome", afirmou. "Mas o dinheiro é meu, ganho com o meu trabaho e ninguém tem nada com isso", continuou. "Além do mais, eu ajudo os outros, faço a minha parte e não sou a salvadora do mundo". Como exemplo de "sua parte", informou que, na semana passada, doou R$ 20 mil para a ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação), além de ser uma das mantenedoras do Hospital Municipal Lourenço Jorge
na Barra.
Vera, de 52 anos, comprou Pepezinha quando seu filho mais velho, Inácio (que já foi sequestrado) decidiu morar sozinho. Ela, que sempre teve cachorro pequinês, abriu mão deles enquanto seus dois filhos eram pequenos. Pepezinha não tem pedigree. "Não tenho preconceitos contra os vira-latas", disse. Pepezinha tem três veterinários (um alergista, um clínico-geral e um oftalmologista - a cachorra já foi operada de catarata) e dorme na cama com Vera e o marido da empresária.
Para a festa, a cadela não vai ganhar roupa nova porque não gosta de usar roupa. "Vou colocar apenas dois lacinhos, um em cada orelha", contou Vera. A cadela também não irá ao cabelereiro. A empresária faz questão de dar banho e pentear pessoalmente sua "amiga". "Ela é alérgica e tem seus próprios produtos", afirmou Vera.

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