Cabrobó - O município de Cabrobó, no interior pernambucano, vem se tornando conhecido por um "souvenir" peculiar: uma cachaça artesanal com raiz de maconha, a Pitúconha.
Com rótulo que se apropria da tradicional marca Pitú, é fácil encontrá-la em bares e carrinhos de espetinhos - em dose (R$ 1) ou garrafa (R$ 30).
"Aguardente de cana adoçada com raiz de maconha", informa o adesivo na garrafa de 965 ml. "O Ministério do Transporte adverte: o perigo não é um jumento na estrada. O perigo é um burro no volante", brinca a embalagem.
A reportagem conversou com um servidor municipal que vende doses da cachaça. Ele diz que algumas pessoas coletam as raízes que sobram das operações policiais de erradicação dos pés da droga e vendem para os produtores. Um saco de 30 kg sai por R$ 100.
O servidor afirma que chega a comercializar até seis garrafas por semana.
Em nota, a pernambucana Pitú informou que "tomará as medidas cabíveis contra a violação dos seus direitos de propriedade intelectual."
Segundo a Polícia Federal, não há clareza sobre a situação legal da bebida. Perícia do ano passado indicou pequenas concentrações de THC (tetraidrocanabinol), o princípio ativo da maconha, nas raízes. "Ao pé da letra, seria crime [a venda da raiz e da bebida] porque tem o princípio ativo. Mas a concentração é baixíssima. Ainda não há posição definida", afirma Carlo Correia, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF em Pernambuco.

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