Salvador, 14 (AE) - Uma pessoa morreu e outras duas permaneciam internadas hoje, em Salvador, depois de terem bebido aguardente de fabricação clandestina, na Feira de São Joaquim, a maior da capital baiana. A doméstica Sandra Santos, que morreu, apresentou os mesmos sintomas de outras 35 vítimas de uma cachaça misturada com metanol distribuída por alambiques do município de Iguaí, no Sudoeste do Estado.
Antes de morrer, ao dar entrada no Hospital Geral do Estado, a doméstica sentia fortes dores abdominais, tontura e perda parcial da visão. Já o paciente Adilson Fraga passou mal dentro do ônibus, quando se dirigia ao bairro da Paz, onde mora. Como o ônibus fazia o trajeto via Hospital Geral do Estado, Fraga foi levado rapidamente por policiais para receber os primeiros socorros. Até a tarde de hoje, Fraga continuava em observação pelos médicos. Outro paciente internado é Manoel Souza, que está no Hospital Roberto Santos e também teria tomado a mesma cachaça na feira.
A suspeita de que a cachaça com metanol tenha chegado a Salvador apressou a ida dos técnicos da Vigilância Sanitária à Feira de São Joaquim, onde recolheram amostras de cachaça sem rótulo nem nota fiscal, comercializada livremente nas barracas. O Laboratório Central do Estado (Lacen) divulga nos próximos dias o resultado da análise. A preocupaçao dos técnicos da Vigilância aumenta porque a feira de São Joaquim é um dos principais centros distribuidores de aguardente para outros pontos de venda na periferia de Salvador.
O drama dos consumidores baianos de cachaça começou há cerca de 20 dias, com o fornecimento de bebida contaminada para bares de municípios do Sudoeste, como Nova Canaã, Dário Meira, Ibicuí e Jequié, entre outros. A Justiça decretou a prisão preventiva do dono de um dos alambiques, Carlos Andrade, mais conhecido por "Araponga", que está foragido. A Polícia procura ainda outros distribuidores suspeitos de terem misturado a cachaça, que provocou o internação de pelo menos 450 pessoas. A cachaça continha entre 2,85% e 24% de metanol nas amostras coletadas pela Secretaria da Saúde, de acordo com conteúdo da análise divulgado há quatro dias. A quantidade de metanol presente na cachaça, em algumas amostras, chega a 500 vezes mais que o limite suportável pelo ser humano.

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