Brasília, 19 (AE) - A partir de agora, todos os depoimentos no inquérito que apura o vazamento de informações no Banco Central, serão tomados em Brasília. Hoje, o delegado Luiz Pontel de Souza, que preside o caso, transferiu o interrogatório que o banqueiro Salvatore Cacciola daria Rio de Janeiro, para evitar que ele fosse ouvido por carta precatória. Cacciola presta depoimento à PF na quinta-feira (22).
A intenção da PF é centralizar o caso na sede da Divisão de Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie) e todas as operações solicitadas pelos procuradores da República terão que ser fundamentadas.
Segundo assessores da Polícia Federal, ao requisitar força policial para entrar na casa do ex-presidente do Banco Central, os procuradores não indicaram o tipo de operação que seria realizada ou mesmo forneceram o endereço da residência, informando apenas que era tratava de uma busca na zona sul do Rio. Hoje, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, evitou comentar a intenção do Ministério Público em divulgar os documentos encontrados na casa do ex-presidente do BC, Francisco Lopes. "A preocupação é com o princípio legal", afirmou Calheiros.
Segundo o ministro, o importante é unir as forças durante as investigações. "Isso não é uma competição, é uma investigação", afirmou Calheiros, voltando a criticar a atuação do Ministério Público no episódio relacionado à casa de Francisco Lopes. "Os procuradores, pela lei, não podem fazer investigação", observou o ministro. Conforme Renan Calheiros, é preciso ter cuidado para que as provas levantadas não sejam anuladas. Segundo ele, se os procuradores acreditam que divulgando as informações irão ajudar na elucidação do caso, que seja feito, mas ressaltou ser necessário que tudo seja feito nos limites da lei.

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