Brasília, 13 (AE) - O dono do banco Marka, Salvatore Cacciola, acusou a imprensa de ter errado ao anunciar que ele teria remetido R$ 17 milhões ao Exterior, em 18 de janeiro. Em depoimento à CPI do Sistema Financeiro, no Senado, Cacciola disse que a remessa foi de R$ 20 bilhões, mas que não era dinheiro dele e sim do Inovation Fund, que era gerido pelo Marka Bank. "E o Inovation não tem nada a ver com o banco Marka, com o Marka Bank ou com Salvatore Cacciola", afirmou o ex-banqueiro
acrescentando que esse fundo é uma pessoa jurídica das Bahamas e que não tem nada a ver com brasileiros.
Cacciola afirmou ainda que o Banco Central foi informado da remessa, mas não deu autorização prévia, pois não era necessário. Ele afirmou que esse fundo que havia ingressado no País com R$ 21,449 milhões chegou a totalizar R$ 28 milhões de patrimônio, mas perdeu R$ 8,6 milhões, com a desvalorização cambial, principalmente nas aplicações de futuro. Cacciola não respondeu ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se tem contas no Exterior e disse que não poderá revelar quais são os passivos de terceiros do Marka Bank nas Bahamas, pois isso é sigilo do Banco Central daquele país.
O dono do banco Marka, Salvatore Cacciola, afirmou que o deságio no resgate das aplicações financeiras de seus clientes somou R$ 11 milhões. Essas aplicações, segundo ele, totalizavam R$ 40 milhões em CDBs. O senador José Alencar (PMDB-MG) fez um esclarecimento em relação aos números do prejuízo do Banco Central com as operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, dizendo que Cacciola havia contabilizado prejuízo com as operações do Marka em US$ 450 milhões e que o valor que vem sendo utilizado pela CPI para se referir aos prejuízos do BC com as duas instituiçoes é R$ 1,6 bilhão.
Segundo o senador, não há disparidade entre as cifras, uma vez que, no início de fevereiro, a relação em real e dólar era de quase 2 para 1. Além disso, os números que servem de base à CPI referem-se aos dois bancos e não apenas ao Marka. O senador José Alencar irritou-se quando Cacciola se referiu à moratória decretada pelo governador de MG, Itamar Franco. Alencar fez elogios a Itamar como presidente da República, comparando a situação econômica do País ao final do mandato de Itamar e a atual.
O dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, disse em seu depoimento à CPI disse que não entende por que o Banco Central não deu aos 1.300 clientes dos fundos do Marka o mesmo tratamento dado aos clientes dos fundos do Banco FonteCindam. O banqueiro disse que essa é "uma mágoa" que ele tem com o BC. Afirmou que o Banco Central poderia ter feito com os fundos do Banco Marka uma operação de ajuda nos mesmos moldes da intervenção feita a favor dos clientes dos fundos do Banco FonteCindam, mas que o Banco Marka, que pagou apenas R$ 1,27 por dólar, não poderia ter comprado dólares a R$ 1,32 como foi permitido ao FonteCindam.
Segundo Cacciola, a explicação do BC foi a de que os fundos do Banco Marka não representavam "risco sistêmico" para o mercados e por isso não receberam socorro. Cacciola disse que ainda falta o BC responder por que razão não ajudou os clientes dos fundos do Marka. "Eu não tenho essa resposta, e o único que pode dá-la e o Banco Central, e ele não deu".

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