Cacciola explica frase em bilhete e diz que sabia que Malan estava no BC
Brasília, 13 (AE) - O dono do banco Marka, Salvatore Cacciola, disse hoje à CPI do Sistema Financeiro, que tinha conhecimento que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, estava no Banco Central no dia 15 de janeiro, mas não o viu. Segundo Cacciola, o Banco Central naquele dia estava um "pandemônio", o esquema de segurança estava muito maior e o 20º andar estava inacessível. "Ninguém podia chegar lá", lembrou. Ele explicou aos senadores o significado da frase "esquecer tudo", no bilhete que escreveu para o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Cacciola disse que apesar dessa frase "ser muita coisa" na verdade queria dizer que se tratava da "sua vida, carreira e seu banco". "Aquilo que eu mais gostava na vida", afirmou. "Não é mentira. É verdade. Pelo amor de Deus".
Prejuízo - Cacciola, disse que quando foi a Brasília, a intenção não era salvar o banco. Isso porque, na sua avaliação, era impossível o Marka sobreviver. Cacciola disse que pretendeu reduzir o prejuízo dos clientes. Ele afirmou que não foi a Brasília com o argumento de que a quebra do banco traria risco sistêmico. Segundo Cacciola, ele não conseguiu o sucesso total na empreitada, pois a maioria dos investidores em CDB sofreu deságio de 20% a 30%. Ele disse que havia dois órgãos de imprensa com recursos administrados pelo Marka e com posição vendida -O Globo e o Dia-, com contratos de mais de R$ 15 milhões, e que foram resgatados integralmente em fevereiro e em abril.
Cacciola, disse também que perdeu R$ 100 milhões com a quebra da instituição. Desse total, segundo ele, R$ 70 milhões foram perdidos no Brasil e R$ 30 milhões no exterior, com a quebra do Marka Bank. Ele afirmou que, hoje, tem um apartamento com dívida e US$ 2 milhões do patrimônio do banco. Disse, ainda, que não se importa com o dinheiro perdido, pois tem inteligência e capacidade para voltar a ganhar dinheiro. "A maior dor foi perder o banco, pois aquilo era minha vida".





